terça-feira, 27 de julho de 2010

Dia do Motorista

Ontem, 25 de julho, foi o dia do motorista. Esse também é o dia de São Cristóvão, considerado padroeiro dos (as) motoristas. A comemoração por aqui pela Cia. foi realizada hoje, logo cedo, um pouco antes das quatro e meia da manhã. Em frente à operação o pessoal da Assessoria de Comunicação e Marketing e do Grupo Vida Que Te Quero Verde juntamente com o Diretor-Administrativo Financeiro Marcos Eduardo e o Diretor-Presidente João Pancinha felicitaram e entregaram os brindes aos primeiros motoristas que chegavam. O presente, um cachecol, estava combinando perfeitamente com a madrugada fria, o termômetro marcava 7º. Muitos já iniciaram sua jornada de trabalho utilizando sua nova peça de vestuário.

A equipe da Memória Carris também esteve presente, desde cedo, exibindo um vídeo que foi produzido especialmente para a comemoração do Dia do Motorista. Sempre ressaltamos a intrínseca relação da Carris com a cidade. Dessa forma, pensamos em fazer uma homenagem que destacasse essa afinidade. Através de imagens antigas e atuais dos veículos na Capital e de felicitações dos cidadãos para os motoristas, procuramos enfatizar a importância desses profissionais no cotidiano porto-alegrense.

Trabalhar nesse vídeo foi um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma atividade muito envolvente e gratificante. Paralelo a elaboração desse material, preparamos outro vídeo que está passando, esta semana, no Canal Você, nas TVs dos ônibus. Um pequeno filme que conta um pouco sobre a trajetória dessa profissão. Muitas vezes não paramos para pensar na importância das coisas que estão presentes no nosso dia-a-dia, acabamos valorizando o raro e o distante. No entanto, se pararmos um momento para refletir, vamos perceber que os elementos que fazem parte do cotidiano são essenciais para nossa vida. Assim, destacamos o trabalho do (a) motorista, que tem a função de nos transportar, de diminuir distâncias. Esperamos que esses vídeos despertem em seus telespectadores essa reflexão. Motorista, parabéns por seu importante trabalho!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

NOVO OLHAR SOBRE O COTIDIANO


Meu nome é Marcos Moreira, estudante de Letras e faço parte da equipe da Memória Carris. Em quase dois meses de trabalho junto com minhas colegas Renata Andreoni e Iara Gomide aprendi e absorvi muita informação, e mudei a percepção que tinha da empresa. Sabem por quê? Porque percebi que quando vemos algum ônibus da Cia. Carris Porto-Alegrense passar, não nos damos conta das incríveis histórias que estão por trás daquele coletivo que desfila gracioso nas avenidas da cidade. Porque essa história está além de transportar pessoas. Está acima de tudo de contribuir para o crescimento e fortalecimento, social e econômico, da amada capital dos gaúchos. Mas por trás de toda a importância que a empresa tem para cidade, tem o valor sentimental dessa companhia que fez ou faz parte, da vida de cada um ou cada uma, que mora em Porto Alegre, ou que tem vinculo com a Capital. A Carris cresceu junto com Porto Alegre, e com a maioria das pessoas. A Carris nos acompanhou. Acompanhou nossa primeira ida à escola, nosso primeiro dia no trabalho, nos cuidou quando precisávamos ir ao médico, ou nos levou para termos um momento de lazer tomando chimarrão em algum parque da cidade. Que bela relação de confiança e amizade!!! Por isso, sempre teremos inúmera historias vinculadas a esta empresa centenária chamada Carris, porque a população porto-alegrense sempre foi e sempre será a protagonista dessas histórias.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carris na Transposul


Nos últimos três dias estivemos participando da 12ª Transposul, na FIERGS, com o Museu Itinerante Memória Carris. Ontem a feira estava bastante movimentada, estivemos muitas visitas, pessoas que já trabalharam na Carris em algum momento de suas vidas e familiares de antigos e atuais colaboradores. Algumas pessoas ficaram de entrar em contato para fornecer material para o nosso acervo, bem como depoimentos. Muito interessante essa troca de vivências!

Infelizmente, esta participação do Museu na feira, foi uma exceção para um evento fechado. Conforme os motivos apresentados na postagem anterior, nosso museu está com suas atividades suspensas. No entanto, estamos trabalhando para melhorar nossa relação de memória com a cidade. Lembrem que contamos com o apoio de todos e todas. Essas histórias foram construídas por muitos, portanto, é fundamental que o espaço que irá divulgar e salvaguardar esta longa trajetória tenha a participação da população porto-alegrense.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

MEMÓRIA CARRIS: UMA NOVA ETAPA

Depois de alguns meses sem blogadas, voltamos de cara nova.
A Memória Carris está iniciando uma nova fase.



A companhia Carris Porto Alegrense é um patrimônio urbano. Sua trajetória está diretamente relacionada com a história da nossa capital, assim como com a vida dos porto-alegrenses. Ou seja, essa história centenária faz parte das memórias coletivas e individuais da nossa cidade. É por essa representatividade que, atualmente, estamos desenvolvendo um projeto para que as memórias dessa empresa sejam preservadas, bem como divulgadas.



Desde 1989, a história da Carris é salvaguardada em um ônibus, um modelo monobloco de 1984 – Museu Itinerante Memória Carris. O veículo que abriga esse espaço de memória é o ônibus mais antigo que permanece na Cia. Sua estrutura é a monumentalização de um período da história dessa empresa, bem como de Porto Alegre. Percebemos esse veículo como uma peça museológica. Por esse motivo necessita de cuidados específicos, sendo assim, interrompemos suas atividades.



Para preservar e difundir as histórias dessa empresa estamos organizando seu acervo. Concomitantemente, pretendemos desenvolver projetos que valorizem a memória dos atores sociais que fazem parte desta trajetória centenária. Pretendemos que esse seja o início de um trabalho que dará origem a um espaço de memória, com condições adequadas para abrigar o Memorial da empresa de transporte coletivo mais antiga do Brasil, em atividade.



Seguiremos escrevendo para compartilhar as etapas desse processo. Aproveitamos para lançar um convite a todos: venham construir uma história da qual você faz parte. Participem deste espaço!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Inicio esta blogada me desculpando pelo período de ausência. Já comentamos neste espaço sobre questões referentes à fugacidade do tempo, da corrida que estabelecemos constantemente contra o relógio. Acredito que esta percepção é decorrente da atribulação de atividades que reunimos no dia a dia, o acúmulo de tarefas acabam alterando a noção de tempo. Fato que se intensifica em determinados períodos, como nos finais de ano. Não pretendo com isso justificar a falta de blogadas no mês de novembro e dezembro, apenas propor uma reflexão sobre como muitas vezes acabamos sendo controlados pelo tempo, ou seja, nos tornamos seus reféns.

Assim, mais um ano se inicia e ficamos com a sensação que o anterior passou “voando”. Tenho esta percepção em relação às visitas que foram realizadas com o Museu Itinerante Memória Carris nas escolas e eventos da Capital nesse ano que findou. Esta impressão é intensificada por alguns fatores que fizeram de 2009 um período atípico para o Memória, tais como a Gripe A e alguns problemas estruturais do Museu. Estes empecilhos acabaram por reduzir os índices de visita, no entanto, seu caráter itinerante permitiu que cumpríssemos o papel de descentralizar cultura e educação. Duas premissas que em tese deveriam ser de acessibilidade universal, todavia, acabam muitas vezes sendo sonegados da população.

Será que conhecemos nossos direitos? Como questionar? Como reivindicar? Em que tempo entre tantas atividades e obrigações diárias? Como participar efetivamente da sociedade? Não apenas como sujeitos passivos a mercê das ações de um determinado grupo, que através do nosso voto legitimam suas ações. Mas ativos, participando efetivamente das construções sociais. Como despertar esta consciência em meio à corrida que estabelecemos contra o relógio entre tantas atividades? Acredito que a via principal é a educação. O acesso ao ensino de qualidade a todos é o nosso pedido da virada de ano.
Um Feliz 2010 a todos!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Prêmio COMPAC 2009



Nosso Museu está de Parabéns! Apesar de enfrentarmos uma série de dificuldades referentes às questões estruturais, principalmente nos períodos chuvosos, o Memória foi homenageado. O Museu Itinerante Memória Carris recebeu o Prêmio COMPAHC 2009 – Mérito ao Patrimônio, solenidade que ocorreu na última quarta-feira, no Paço Municipal. Ao lado de 24 homenageados, entre personalidades, empresas e instituições nosso Museu esteve presente.

Há 21 anos um ônibus monobloco da Mercedes Benz, de 1984, abriga a memória da empresa mais antiga de transporte coletivo no Brasil, em funcionamento – a Companhia Carris Porto-Alegrense. Como já foi abordado em postagens anteriores, a Carris está diretamente relacionada ao desenvolvimento urbano da nossa Capital. A chegada dos primeiros bondes (1873) – a tração animal – e, posteriormente, com o advento da eletricidade – os Elétricos (1908) – fizeram com que Porto Alegre fosse perdendo suas antigas características rurais. Acrescentamos a esta trajetória os ônibus, que, ao contrário dos bondes, continuam pelas ruas garantindo a mobilidade urbana aos porto-alegrenses. A Carris e a cidade de Porto Alegre são memórias indissociáveis, pois suas histórias são “trilhadas” por caminhos simbiônticos. Quando se fala em Carris, inevitavelmente, fala-se em Porto Alegre.

O trabalho desenvolvido pelo Museu abarcou equipes distintas que possibilitaram este ano, após atingir sua “maior idade”, esta belíssima homenagem. Tenho certeza que este reconhecimento se faz presente pelo trabalho dessas diferentes personagens que transitaram pelos trilhos da história do transporte. Aproveito-me da atual condição de monitora do Memória e de administradora deste blog, para parabenizar com maior veemência o colaborador Eloy. Nosso querido Chefia, que há muito tempo faz parte desta história. Ao levar o Memória aos diversos cantos da cidade, ele vai “guiando” a educação e a cultura para pessoas que, na maioria das vezes, estão muito distantes dessas premissas que deveriam ser a base para a nossa sociedade.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Gremio Football Porto-Alegrennse - 106 anos de histórias

Pessoal, conforme comentei na postagem anterior, este espaço está aberto para receber os textos dos colegas que estão realizando estágio aqui no Museu. Abrimos com um texto do Marcos Luft(UFRGS). Particularmente, adorei a temática!Obrigada, Marcos.

“Todas as músicas tem a sua história. Quase sempre falam ao coração. Esta também fala ao coração: ao coração do mundo desportivo do Rio Grande do Sul”.
Assim, o jornal Diário de Notícias se referia à primeira vez que o hino do Grêmio de Foot-ball Porto-Alegrense seria tocado ao público. Hoje, 15 de setembro, o tricolor dos pampas completa 106 anos de histórias e títulos. E quando o torcedor ouve “Até a pé nós iremos, para o que der e vier”, se emociona e relembra as glórias passadas. O que pouca gente sabe é que esses versos têm relação com um acontecimento da história do transporte coletivo de Porto Alegre.
O jogo era Grêmio x Cruzeiro, valendo pelo 1º turno do campeonato da cidade. À época, um dos grandes clássicos do estado. A data era 21 de junho de 1953, domingo. O tricolor precisava vencer para ter chances de alcançar o Internacional na tabela, já que tinha perdido na rodada anterior para o Renner (que seria campeão estadual no ano seguinte). O local era o Estádio da Baixada, atualmente o Parcão (o Olímpico só seria inaugurado no ano seguinte). Só que haveria um grande problema para se chegar ao estádio.
Na sexta-feira, dia 19, os motoristas e cobradores da empresa SOUL (que à época fazia algumas linhas da zona norte) entraram em greve. Queriam aumento de salários. Na época, a inflação era grande. Diziam que “na maioria são homens que possuem os encargos de família e não podem consentir que o aumento de seus salários, presentemente irrisórios, seja retardado e não passe de promessas”. A resposta da prefeitura foi cassar a concessão das linhas da SOUL na zona norte. A Companhia Carris, na época empresa particular, pertencendo à norte-americana Bond & Share, contribuiu, para tentar normalizar a situação, reforçando as linhas de bondes dos bairros Floresta, Navegantes e São João.
No sábado, dia 20, foi a vez da empresa Teresópolis. O motivo era o mesmo: aumento de salários. “Somos chefes de família e não queremos prejudicar o povo com nossa parede [nome dado à greve naquele tempo]”. Membros da SOUL e da Teresópolis passaram a tentar convencer funcionários de outras empresas a aderirem à greve. Uma boa parte deles se solidarizou aos grevistas, complicando o transporte coletivo de Porto Alegre. O motivo continuava sendo o mesmo: “reivindicando, junto aos empregadores, uma melhoria de salários, em virtude dos seus orçamentos já não comportarem as despesas atinentes aos encargos da família, dado o crescente aumento do custo de vida, observado dia a dia”.
No domingo, dia do jogo, eram 122 carros parados nas garagens (haviam 239 em toda a cidade). Era uma das maiores greves já então vistas. As linhas São João, Glória e Teresópolis, da Carris, aderiram à greve, mas a empresa não aderiu totalmente. Outras linhas operaram com menor capacidade, já que a prefeitura e algumas empresas deslocaram ônibus para cobrir as linhas onde trabalhavam os grevistas. Uma dessas linhas prejudicadas era a Independência, servida por ônibus e bonde. Justamente a que os gremistas precisavam para chegar ao estádio (além da linha especial Futebol, como há atualmente). Os coletivos foram e voltaram superlotados. Muitos até a pé foram, originando a primeira frase do hino gremista.
Na terça-feira, dia 23, a greve foi encerrada, com a promessa de aumento de 70% nos salários dos motoristas, e 60% no dos cobradores. Essa greve provocou uma reação da prefeitura, que resolveu encampar (ou seja, assumir o controle) todas as empresas incapazes de cobrir esse aumento e de investir na melhoria de seus carros. Em 1953, diversas empresas foram encampadas pela prefeitura, inclusive a Carris.
Quanto ao jogo, que segundo a imprensa, foi fraco, o Grêmio, desfalcado do craque Tesourinha, que havia sofrido um acidente de carro dias antes, venceu por 1x0, com gol de Milton. O Grêmio jogou com: Sérgio, Pipoca e Orli; Hugo, Laerte II e Joni; Milton, Gringo, Mujica, Camacho e Torres. Já o Cruzeiro veio com: Deoli, Machado e Rui; Laerte III, Casquinha e Xisto; Tesourinha II, Hofmeister, Orceli, Nardo e Jarico.
Após o jogo, o repórter do jornal Diário de Noticias, Wilson Muller, pediu a Lupicínio Rodrigues que composse uma marcha para o cinqüentenário do clube. Nos dias (ou melhor dizendo, nas madrugadas) seguintes, se encontraram Lupicínio (ou Lupi), Ruy Silva, o escritor, Campanella, orquestrador, e Silvio Luiz, cantor da Rádio Farroupilha. No dia 16 de agosto, já pelo 2º turno do campeonato da cidade, numa vitória de 2x0 sobre o Aimoré, de São Leopoldo, o hino foi ouvido pela primeira vez pelos torcedores, pela Rádio Farroupilha, com o som sendo reproduzido pelos alto-falantes do estádio.
E assim surgiu um dos maiores símbolos do futebol gaúcho: o hino tricolor, numa relação quase desconhecida com o transporte coletivo de Porto Alegre. Ao final de tudo, o Grêmio perdeu o 1º turno do campeonato da cidade. O campeão foi o Internacional, após empatar o Gre-Nal decisivo do dia 5 de julho por 1x1, no Estádio dos Eucaliptos.

Marco Luft