terça-feira, 15 de setembro de 2009

Boas vindas!

As visitas do Memória, às escolas da cidade, estão recheadas de novidades. Nosso museu está contando com a participação de uma “turma da pesada”. Marcos (UFRGS), Ben Hur (IPA) e André (IPA) que estão realizando o estágio curricular aqui na Carris. As próximas escolas, que receberem a visita do Museu, poderão usufruir das “ histórias e memórias” que esta galera irá acrescentar ao projeto.

Gostaria de expressar que estou muito feliz em poder dividir esta experiência com colegas que estão trilhando a sua formação, assim como eu. Posso assegurar que o dia-a-dia com o Museu Itinerante Memória Carris é, no mínimo, uma vivência enriquecedora, em todos os aspectos. Durante o trabalho, a cada atividade exercida, acrescento elementos que vão contribuindo para o meu amadurecimento profissional e pessoal. A convivência com crianças e adolescentes nas escolas revela-se uma “caixinha de surpresas” a cada visita. É incrível como estamos fadados a eternos aprendizes. A princípio, chego às escolas, na qualidade de monitora, para levar informação, no entanto, esta prática torna-se recíproca. A cada encontro novas experiências, “um novo retalho a ser tecido na gigante colcha da vida” . Quanto ao trabalho de pesquisa, devo confessar que 137 anos de empresa exige que, às vezes, nos transformemos em “ratinhos”, ou seja, entrar num arquivo e esquecer que há vida fora daquelas paredes (risos). O que dizer sobre este blog e o Volante (jornal interno da Carris, no qual escrevo uma coluna mensal)? Cada texto uma barreira vencida, acho que é mais ou menos assim que percebo este grande desafio. Sem falar nos colegas da Carris que convivo semanalmente, suas particularidades compõem uma pluralidade extremamente interessante de se partilhar.

A participação do André, do Ben Hur e do Marcos, com certeza, será mais um momento que possibilitará uma belíssima troca de experiências. Além da participação nas escolas, este espaço estará aberto para que eles possam postar seus textos, dividindo com a gente suas “histórias e memórias”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

"Saudade dos carnavais de antigamente...De tanta gente no bonde"



Neste blog comentamos, seguidamente, sobre a intimidade entre os porto-alegrenses e os bondes, durante o longo período que este meio de transporte circulou pelas ruas da Capital. Esta relação é percebida pela constante presença desses veículos e de seus tripulantes (Motorneiro e Condutor) nas crônicas e músicas gaúchas. Como não poderia deixar de ser, no carnaval lá estavam eles. Muitas marchinhas faziam referência aos Elétricos e seus personagens.

No entanto, não foi só em Porto Alegre que esses veículos demarcaram seu espaço no cenário cultural. Sendo o bonde uma figura tão popular, foi protagonista de muitas músicas de sucesso nas mais diferentes localidades em que esteve demarcando o urbano. Canções que abarcavam o cotidiano da população com os Elétricos. Retratos das mais singelas viagens, com suas paradas habituais, além da saudação rotineira do gentil senhor ao motorneiro. Outras letras retratavam ainda cenas mais pitorescas, como uma “cantada” na moça que estava ao lado, o jovem que despistava o condutor e seguia seu destino sem pagar a passagem ou, então, as traquinagens da criançada que garantiam sua diversão ao incomodar o “seu” condutor e o “seu” motorneiro.


Em postagens anteriores abordamos essa relação da música com os bondes, falando sobre dois grandes mestres da música popular brasileira: Octávio Dutra (gaúcho) e Noel Rosa (carioca). Acima temos a partitura de uma marcha do carnaval de 1938. A autoria deste sucesso da década de 1930 é da dupla caipira Alvarenga e Ranchinho. Suas letras satirizavam os políticos da época, o que acabou fazendo da dupla, ocasionalmente, alvo de perseguições.

No mesmo ano J. Casacata e Leonel Azevedo brilharam com a marchinha Não Pago o Bonde:

“Não pague o bonde iaiá
Não pague o bonde ioyô
Não pague o bonde
Que eu conheço o condutor”.
Os festejos de 32, Noel Rosa e Eduardo Souto lançaram a música Palpite:
“Palpite
Palpite
Nasceu no crâneo de quem teve meningite
Num dia desses perguntaste ao condutor
Se os bondes passavam na rua do Ouvidor”.
A marcha Zizinha de José Francisco de Freitas fez sucesso no carnaval de 1926, abordando a bolinação nos Elétricos, fato corriqueiro na época:
“Noutro dia num bondinho
Um coronel já bem velhinho
Deu-me um beliscão
Pegou-me na mão.”

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Mais de um século de histórias...

Na última Quinta feira, dia 30 de julho, o poeta Mario Quintana completaria 103 anos. Gaúcho de Alegrete adotou Porto Alegre para sua morada, dando início a uma relação recíproca de admiração entre a cidade e o poeta. Através do seu legado podemos perceber a forma simples e profunda da sua poesia abarcar as belezas prosaicas, que muito passam despercebidas na vida frenética da atualidade. Acompanhando de perto as mudanças da Capital, ancoradas na busca pelo progresso, Quintana sempre se posicionou resistente as reformas que iam, pouco a pouco, transformando a simplicidade da cidade pequena, para complexa metrópole.

Mario Quintana era um apaixonado por bondes, assim como muitos porto-alegrenses. Embaralhada num sentimento nostálgico, sua poesia demonstra que os Elétricos ficarão eternizados no imaginário da cidade. Através das lembranças daqueles que conviveram com esse meio de locomoção, os bondes estabelecem sua permanência. Mais do que uma forma de se transportar, estes veículos, que trafegaram pelas ruas de Porto Alegre por quase um século, marcaram trajetórias de vida.

Assim como Quintana, outros literatos, cronistas e compositores demonstram, através de suas obras, a representação dos Elétricos para os porto-alegrenses. Histórias e memórias que se perpetuam entre as diferentes gerações. Embora nosso poeta não esteja mais entre nós para festejar seu aniversário, a data é comemorada. O patrono da Casa de Cultura Mario Quintana foi homenageado na semana passada com uma programação especial que demonstra a imortalidade de sua obra.

Meu bonde passa pelo mercado

O que há de bom mesmo não está à venda,
O que há de bom não custa nada.
Este momento é a flor da eternidade!
Minha alegria aguda até o grito...
Não essa alegria alvar das novelas baratas,
Pois minha alegria inclui também minha tristeza

Tristeza...
Meu companheiro de viagens, sabes?
Todos os bondes vão para o Infinito!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Dia do Amigo


Hoje, dia 20 de julho, é dia do amigo. Esta data começou a ser comemorada na Argentina, passando a ser adotada em outros países. Um argentino resolveu celebrar a amizade inspirado pela chegada do homem à lua, evento que hoje completa quarenta anos. Para ele, esse momento simbolizava mais que uma conquista científica, a possibilidade de ampliar amizades pelo universo. Entre diferentes locais, o bonde foi lugar que proporcionou encontros constituindo muitos laços afetivos.

Por quase um século os bondes compuseram o cenário de Porto Alegre, sendo palco de muitos encontros entre amigos. Uma volta nos Elétricos rendiam momentos agradáveis aos porto-alegrenses. Hoje eles estão presentes somente na lembrança daqueles que, ao lado de seus amigos, desfrutavam de um belo passeio pela Capital.

Na Argentina, os bondes despediram-se das ruas na década de 1960, deixando assim como aqui muitas lembranças, após sua última viagem em março de 1970. No entanto, em 2007 os bondes voltaram a trafegar em Buenos Aires, sendo além de mais uma opção de deslocamento um atrativo turístico. O trajeto percorre apenas 2 quilômetros, ligando Córdoba à Independência, duas importantes avenidas da capital portenha na região de Puerto Madero (imagem ilustrando).

Em Porto Alegre há um projeto que pretende viabilizar a reintrodução de uma linha de bonde na cidade, assunto abordado aqui. Infelizmente, no momento, esta proposta encontra-se parada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. A volta deste transporte na Argentina pode ser mais um fator a contribuir com o retorno dos saudosos Elétricos na cidade, mesmo que representado apenas por uma linha. Que bom seria se pudéssemos comemorar com nossos amigos, o dia 20 de julho, num gostoso passeio de bonde.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

11° Transposul






Na semana passada estivemos, durante três dias, no centro de eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), participando da 11° Feira de Transporte e Logística do Sul (Transposul). Esta foi a segunda edição que o Memória participou, destacando-se entre estandes equipados com os mais diferentes aparatos tecnológicos de segurança, logística, entre outros.

A abertura da feira contou com a presença do prefeito José Fogaça e, ao longo do evento, teve a visita de muitos empresários, jornalistas, profissionais ligados ao transporte e, como não poderia deixar de ser, dos busólogos. No último dia da Transposul, Sexta-feira, os visitantes do Memória foram recepcionados pela Dona Claudete, que recebeu todos com muito carinho e atenção.

Neste ano o Museu Itinerante Memória Carris teve a companhia de um ônibus de 1965 da Sogil (foto que ilustra essa postagem), o mesmo que, em maio do presente ano, realizou o trajeto de Gravataí a Porto Alegre em comemoração aos 55 anos da empresa. Embora este evento se diferencie da agenda habitual do Memória, tal oportunidade proporcionou uma vivência entre o que já simbolizou a modernidade com que representa o moderno atualmente. Por meio dessas trocas podemos identificar a fugacidade na qual vivemos e aproximar a História do nosso cotidiano. Já comentei em postagens anteriores sobre a corrida contra o tempo que estabelecemos diariamente, novas tecnologias surgem a todo instante, e a 11° Transposul apresentou aos seus participantes e visitantes, o que há de mais moderno na área de transporte e logística. A participação do Museu, bem como do ônibus da Sogil possibilitou o diálogo entre diferentes períodos da história.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Uma longa trajetória - Carris 137 anos

Parabéns! Dia 19/06 a Carris completou 137 anos de existência, sendo a empresa mais antiga de transporte coletivo em funcionamento no Brasil. Na comemoração dos seus cento e trinta e seis anos escrevemos aqui um pouco da formação e dos seus primeiros anos de atividade como símbolo representativo de progresso na nossa capital. Neste aniversário homenagearemos os antigos e atuais funcionários, ou seja, aqueles que a partir do seu trabalho propiciam o sucesso de tantos anos dessa empresa a serviço dos porto-alegrenses. Nas postagens do “Antigas e Novas Histórias” os “blogueiros” podem observar que a trajetória da Carris não possui um percurso linear, como não poderia deixar de ser, ao longo de um período tão extenso, o mundo passou por grandes transformações.
A Carris leva aos quatro cantos da cidade, – centro e periferias – semanalmente, um pouco da sua história através do Museu Itinerante Memória Carris. A visita começa quando partimos em uma viagem no tempo – iniciada na segunda metade do século XIX – onde conhecemos uma Carris completamente diferente do que estamos acostumados a ver diariamente pelas ruas. A partir das suas transformações podemos acompanhar o crescimento e modernização de Porto Alegre percebendo a sua importância para a capital gaúcha. Neste cenário devemos destacar os atores (motorneiro e condutor – motorista e cobrador), bem como toda a equipe de produção (manutenção, lavagem, segurança, administrativo) que garantem a beleza e o sucesso do espetáculo. Dos bondes à tração animal aos modernos ônibus atuais, passando pelos saudosos elétricos e o curto período dos trolleybus a trajetória dessa empresa foi sendo traçada por um grupo de funcionários – colaboradores – que está de Parabéns. Esta é uma homenagem a todos que participaram e que ainda participam da história dessa empresa que carrega memórias de muitos porto-alegrenses.

sábado, 13 de junho de 2009


Nessa Segunda-feira visitamos o CENEAMM 1° de Maio, no Bairro Glória, onde começamos a ser surpreendidos positivamente logo na chegada. Inicialmente o Memória ficaria em frente ao posto de saúde, utilizando a energia elétrica da sede para a iluminação do museu e para o funcionamento do “bondinho”, pois a rua do CENEAMM é muito estreita, inviabilizando nossa parada em sua frente. A foto dessa postagem ilustra a miniatura que fica atrás do acrílico, quando o bonde começa a andar sobre os trilhos paralisa o olhar das crianças, principalmente, dos pequenos, eles adoram esse momento da visita. No entanto, o posto se encontra num declive, e para garantir o funcionamento da grande atração da criançada (o bondinho) o ônibus monobloco que hospeda o museu precisa estar em terreno plano. Puxa! O que fazer agora? Pois os nossos visitantes do dia eram, justamente, os pequeninos, com exceção das turmas do SASE (Serviço de Apoio Sócio Educativo). Assim que expomos essa dificuldade, imediatamente, um morador da comunidade ofereceu a energia da sua casa. Pronto! Problema solucionado. O Chefia (motorista do Memória) estacionou o museu em frente a moradia do solícito rapaz e, em seguida, realizou as instalações necessárias. Tudo certo!Começamos a receber as primeiras turmas.

A cada saída do Memória, sejam visitas a escolas ou eventos na cidade, aprendemos coisas novas, é incrível a troca de conhecimento e experiências que o Museu Itinerante Memória Carris proporciona. Nessa Segunda-feira não foi diferente. Mesmo que a história a ser apresentada durante a monitoria da visita seja sempre a mesma, a forma que ela é conduzida se altera de acordo com a turma. Essa variante está associada a diversos fatores, como a faixa etária, o número de visitantes e, principalmente, o posicionamento dos professores, bem como da escola de contextualizar a visita, fazendo com que esse momento lúdico proporcionado pelo Memória seja uma extensão da atividade em sala de aula.

Recebemos as turmas pela manhã e pela tarde, todos muito curiosos para ver o que havia dentro daquele ônibus antigo parado ali perto. Ao final, depois da última visita, fui agraciada com duas surpresas, um cartaz com desenhos do museu, da turma do Jardim A e um teatro dos alunos do SASE da tarde. O espetáculo transmite várias mensagens e o mais interessante é que a professora montou o texto a partir de relatos dos alunos, de suas vivências nas escolas no turno inverso. Todos participam, cada um tem um papel fundamental na peça demonstrando a importância do respeito com o outro. Através dessa postagem quero parabenizar o trabalho do CENEAMM 1° de Maio e a iniciativa de levar o teatro para a sala de aula, tornando o aprendizado mais prazeroso, bem como agradecer por mais uma oportunidade de trocar experiências.