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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Texto referente à exposição Trajetórias no Volante




Tenho 23 anos de motorista e procuro fazer meu trabalho com dedicação e comprometimento, graças a isso tenho colhido bons frutos”
José Luiz Azevedo Paula nasceu em Cruz Alta, mas reside em Porto Alegre há 35 anos. Antes de iniciar na Carris, já havia trabalhado em empresas de transporte coletivo como cobrador e  posteriormente como motorista. Durante a intervenção da Prefeitura no transporte coletivo (1989), saiu da companhia na qual exercia sua função e começou sua trajetória na Carris. José foi o motorista que inaugurou a linha T5 em 1989 e deu a primeira volta na 3ª Perimetral em 2006. Com uma grande afeição pelo veículo, o homenageado do terminal Aeroporto aprecia cuidar de seu instrumento de trabalho, o ônibus. Para ele, um bom profissional do volante deve ter atenção, educação no tratamento com os passageiros e colegas, além de dirigir sempre com segurança, evitando ao máximo os acidentes e problemas no transito. José trabalha como motorista na Companhia há 23 anos e mantém, ao longo do tempo, uma relação de carinho e dedicação com os passageiros. José já havia sido homenageado em 1993, quando foi considerado motorista modelo de sua unidade. Agora, o destaque se mantém, mostrando que quando cumprimos nossa tarefa com comprometimento, colhemos bons frutos na empresa e na relação com os usuários. Segundo ele, é importante gostar do que faz, pois dessa forma nos sentimos realizados profissionalmente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

“Aqui estou realizado profissionalmente, pois a Carris é a minha segunda casa”. - Parte da mostra Trajetórias no Volante



João Jesus Martins Batista nasceu em Encruzilhada do Sul e veio para Viamão com 14 anos. Em 1985, começou a trabalhar numa empresa de transporte, iniciando sua trajetória como rodoviário na cidade de Viamão. Em 1992, João iniciou sua história na Carris como cobrador do T6. Embora já fosse motorista enquanto trabalhava na roleta, atuou  quatro anos nessa função antes de fazer o concurso para o volante. Dessa forma, em 1996 recebeu aprovação nos testes e iniciou seu trabalho como motorista na mesma linha onde já atuava. Atualmente, são 16 anos no volante e quase 20 de Carris. Devido ao longo tempo na mesma linha, conhece gerações de uma mesma família, acompanhando o dia a dia de seus passageiros. João já atuou na Cipa (Comissão interna de prevenção de Acidentes) por dois mandatos e uma vez na comissão de funcionários, quando participou da fundação da Use Carris (União Social dos empregados da Carris). Em 2006, João foi considerado motorista modelo pela Companhia e teve sua foto estampada em cartazes nos ônibus da cidade. Para o homenageado do terminal da linha T6, o bom motorista deve ter responsabilidade no volante, atenção, educação, cuidado com o veículo e, mais importante que tudo, deve apreciar o que faz.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Avelino Sidinei: mais um exemplo de dedicação e comprometimento


 Avelino Sidinei de Almeida Cavalheiro nasceu em São Luiz Gonzaga e veio para Porto Alegre em 1981. Antes de entrar na Carris, trabalhou na Sopal e na Conorte, quando começou como cobrador, assumindo o volante após um ano. Durante esse período, Sid, como é carinhosamente conhecido pela Companhia, viveu a intervenção da prefeitura nas empresas de transporte em Porto Alegre em 1989, quando, inclusive, trabalhou para que ela se efetivasse e realmente mudasse o sistema de locomoção na Capital.
Sua história com a Carris iniciou em 1995, quando passou no concurso e começou sua atuante participação na empresa. Sid participou, em 2001, da criação do grupo Vida que te quero verde e do Voluntariado. Segundo nos relatou, a intenção daqueles que planejaram o primeiro foi combater os problemas de drogas e bebida, muito comum entre rodoviários na época. A ideia teria surgido inspirada em outras empresas que tiveram iniciativas semelhantes com resultados satisfatórios em termos de qualidade de vida e produtividade. O nome foi escolhido por sugestão dos colaboradores, sendo que a metáfora da sinaleira virou o mascote do grupo. Várias atividades são planejadas e realizadas todos os anos, visando à integração da família e a melhoria da qualidade de vida dos funcionários, exemplos disso são os passeios e a programação de natal.
Sid teve, desde o início de sua trajetória, atuação comprometida na Companhia, participando, por exemplo, de ações que visavam à melhoria dos terminais de ônibus, garantindo, dessa forma, aos funcionários, um lugar adequado para o lazer, o descanso e a alimentação.  No voluntariado, Sid participou de várias ações que visavam assistir os que viviam em associações, asilos, orfanatos, entre outros. Fazendo suas atividades com dedicação, carinho e comprometimento, Sid tem marcado sua trajetória na Carris por ações que visam auxiliar os colegas, usuários e comunidade em geral.
Para ver as fotos relacionadas à trajetória de Sid na empresa click em https://picasaweb.google.com/carrismemoria/FotosDeAvelinoCidinei .

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Compatilhando vivências no Mercado Público

Na última sexta feira, dia 15, às 18h, tivemos a nossa 2ª Roda de Memória no Mercado Público. Escolhemos o lugar pela representatividade dele junto à população de Porto Alegre e pelo Patrimônio histórico e social que esse local agrega não só na Capital, mas na região metropolitana também. Dessa forma, não foi surpresa a recepção do público ao evento, o que nos trouxe muita satisfação.
Na primeira parte do evento lançamos a exposição Trajetórias no Volante, da qual já falamos aqui. Estiveram presentes na abertura nove dos onze motoristas homenageados. Na ocasião, Renata Andreoni, coordenadora da Unidade de Documentação e Memória, apresentou os eixos norteadores da mostra e parabenizou os que ali representavam os diversos motoristas que trabalham nos terminais da Companhia. Após a sua fala, o Diretor- Presidente da Carris,  João Pancinha, felicitou aos profissionais do volante pelo seu dia e pelo trabalho comprometido e responsável que fazem, propiciando um transporte de qualidade à população porto-alegrense.
Após o lançamento da exposição, tivemos o privilégio de ouvir os depoimentos dos componentes da mesa: Jorge Gomes Monteiro (motorneiro aposentado), José Tadeu de Mello (Presidente da Associação dos trabalhadores aposentados e pensionistas em Transportes Rodoviários de Porto Alegre e Região Metropolitana) e Sérgio Vieira (Presidente da Associação Única dos Rodoviários Aposentados). Os relatos emocionaram membros da platéia e fizeram com que outros também compartilhassem suas vivências, esse foi o caso do Sr. Adão Salvador e Sr. Boaventura Souza, ex-motorneiros que puderam reviver importantes momentos de suas trajetórias pessoais. Em certo momento, Renata Andreoni, que mediava a mesa, chamou a primeira motorista de Porto Alegre, Teresinha Izabel, que realizou sua primeira viagem em 1974, após uma longa história pessoal de lutas e superação. Muitos outros que ali estiveram poderiam também dividir suas memórias, mas, com o objetivo de repetir o evento, guardamos outras lembranças para novas oportunidades.
Em nome da equipe da Unidade de Documentação e Memória da Carris, e de nosso presidente  João Pancinha, agradecemos a todos  que prestigiaram o evento, que dividiram conosco suas vivências e que nos permitiram reviver a história da Companhia e da Capital. A história do transporte é mais que a memória de uma empresa, é a história de Porto Alegre, do modo como essa se constituiu, cresceu e se mantém, como pólo aglutinador de vivências e memórias coletivas.  Na foto acima, os depoentes, Abade (presidente da Use Carris), João Pancinha (presidente da Carris) e nosso querido "Boca Cheia", que se vestiu de motorneiro.

terça-feira, 5 de julho de 2011

2 º Roda de Memória

Já falamos aqui sobre o Programa de História Oral desenvolvido pela Carris através da Unidade de Documentação e Memória. Nesse projeto, objetivamos registrar as memórias de nossos atuais e antigos colaboradores, além da comunidade que usou bonde, anda de ônibus e mantém relação com o transporte coletivo. A história de uma empresa não se constitui somente através de documentos escritos, oficiais e expedidos pela direção. Ela também é a memória dos que vivenciam diariamente no cotidiano da empresa: os cobradores, motoristas, mecânicos, passageiros, etc
Como o objetivo de fazer das memórias registros públicos, organizamos para o próximo dia 15 de julho a 2ª Roda de Memória. A primeira foi realizada ano passado em dezembro, na Companhia Carris, com a participação de Jarbas Franco (motorista da Carris, representante do Sindicato dos Rodoviários, Francisco Carlos Rodrigues (colaborador aposentado, presidente do Conselho Fiscal da Associação dos Trabalhadores rodoviários aposentados do RS) e Sr. Geraldino Alfredo Ricardo (Assistente Administrativo Aposentado).
Em nossa segunda edição, convidamos um representante dos transviários (que trabalhavam em bondes) e dois dos rodoviários, das associações. Participarão do evento Jorge Gomes Monteiro (motorneiro aposentado), José Tadeu de Mello (Presidente da Associação dos trabalhadores aposentados e pensionistas em Transportes Rodoviários de Porto Alegre e Região Metropolitana) e Sérgio Vieira (Presidente da Associação Única dos Rodoviários Aposentados). Após o depoimento dos convidados, o microfone é aberto para aqueles que desejem dividir suas experiências, vivências e memórias sobre o transporte coletivo. No mesmo dia será aberta a exposição Trajetórias no Volante da qual já falamos aqui. Participe, divulge e registre suas histórias no transporte!


quarta-feira, 29 de junho de 2011

O Cobrador mais famoso da Carris


O nome dele é Agilberto Quiroz, mas dessa forma ninguém lhe conhece, é como Melancia que o cobrador mais famoso da Carris é conhecido pelos colegas e passageiros. O apelido, segundo nos relatou, surgiu por acaso, quando ele, conversando com um motorista, relatou que um determinado colega não gostava que lhe chamassem de “melancia”. A partir desse momento todos passaram a lhe chamar dessa forma, fazendo com que o Agilberto fosse mais um dos que é conhecido mais pelo apelido do que pelo nome registrado.

São 25 anos de Carris, todos eles vividos nas linhas circulares (os c’s), primeiramente no C3 e hoje no C2. A fama de Melancia vem, no entanto, não pelo seu tempo de trabalho, mas pela relação peculiar estabelecida entre ele e os passageiros. Melancia inaugurou as festas nos ônibus em Porto Alegre e foram muitas: festa de São João, dos namorados, de Santo Antônio, entre outras.  Além disso, havia, no ônibus, a hora da receita, do chimarrão, etc. De acordo com seu relato, tudo começou em 1994 quando uma passageira lhe contou que faria aniversário no outro dia, mas que passaria sozinha, já que estava longe da família que morava em Minas Gerais. Após a menina descer, Melancia combinou com os passageiros uma festa para a garota e comprou para ela um buquê de rosas. No dia do aniversário, após a porta se fechar, todos se uniram para cantar o “parabéns a você” para a aniversariante, seguido de presentes e com direito a bolo e vela. Os olhos da menina se encharcaram e a voz ficou embargada.

Melancia já foi reportagem no Fantástico, Globo Repórter e Al-Jazeera, canal da Arábia.  A turma que com ele organizava as festas e comemorações no ônibus é chamada por ele de “turma da pesada”. São incontáveis as lembranças recebidas pelos passageiros, que vão desde carne de ovelha, porco e gado até uma viagem para a Bahia. O cobrador mais famoso da Carris trabalha de manhã no C2, alegrando e divertindo os usuários que transitam pelo centro.

Clicando aqui vocês poderão conferir o vídeo do 2º Prêmio Destaque Ação Social, promovido pela Cia. Carris no dia 30 de maio de 2007 onde, entre outros funcionários da empresa, foi homenageado o Melancia.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

“Na Carris realizei meu sonho de carregar um brasão de família: levo o brasão da família Carris por onde ando”


Já falamos aqui do trabalho que realizamos nos terminais da Carris através do programa de história oral. Nele, entrevistamos colaboradores dispostos a nos relatar um pedaço de sua trajetória na empresa. As entrevistas são diversas e abarcam antigos e novos funcionários no intuito de coletar os mais diferentes depoimentos daqueles que no seu dia a dia constroem a história da companhia.
No dia 14 de abril estivemos no terminal em frente ao shopping Praia de Belas nas linhas T5 e T2. Nesse dia, além de outros colaboradores, entrevistamos o senhor Nei Fernando de Oliveira. Nei, como é carinhosamente chamado pelos colegas, tem uma relação com a Carris que inicia na sua infância, com um sonho que só se concretizou quando ele entrou na empresa. Quando criança, Nei não sabe estimar com que idade exatamente, ele sonhava em trabalhar como motorista de uma família que ostentaria um brasão.
Dirigindo desde a infância, segundo nos relatou, trabalhou na força aérea durante oito anos. Lá formou uma banda e tocava como corneteiro para eventos oficiais. No entanto, a não realização do sonho o fez deixar esse trabalho e ir em busca de seu ideal. Dessa forma, passou pela Petrobrás, pela Copesul, como motorista da diretoria e foi dois anos motorista particular do presidente do internacional, além de trabalhar como motorista das lotações em Porto Alegre. Entretanto, seu sonho ainda não se realizara e Nei continuava em busca daquilo que para si era um objetivo de vida.
Após trabalhar em diferentes locais, Nei realizou concurso para a Companhia Carris e obteve aprovação. Ao iniciar o trabalho na linha T2, “desbravando a perimetral” que, na época, estava em construção, Nei se deu conta que aqui, na empresa, seu sonho havia se realizado. Com os olhos cheios de água e a voz embargada afirma que na Carris carrega , como motorista, o brasão de família que tanto sonhava, o brasão da família Carris.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Nos Caminhos da história oral (parte 2)


A
A história oral tem peculiaridades e desafios que lhe são próprios. Quando analisamos documentos “prontos” – escritos - penetramos em um mundo que já foi, pelo menos teoricamente, construído, antes que tivéssemos conhecimento dele. Dessa forma, nesse caso, na busca de entender o que chega até nós, buscamos o contexto social, cultural, linguístico e intelectual de certo texto. Em outras palavras, o que encontramos está “pronto”, compete a nós, pesquisadores, interpretar o que já está construído, o que já foi constituído. Não queremos aqui negar o fato que os vestígios históricos são continuamente reinterpretados pelas gerações e que novas interpretações são produzidas, mas de qualquer forma isso reflete mudanças no nosso tempo não no documento “em si”.
No caso de documentos orais as dinâmicas são muito diferentes. A primeira questão é que eles não existem antes que o pesquisador se interesse pelo tema, sem que crie o problema e a pergunta através da qual irá investigar. A entrevista é marcada pelo pesquisador, produzida por ele para utilizar em sua pesquisa. Há, dessa forma, o elemento da subjetividade presente e mais forte que no uso de documentos escritos. Além disso, embora a fonte seja oral o que produzidos é escrito. Entonação, por exemplo, não é passada no momento em que os depoimentos são transcritos. O pesquisador faz as perguntas e as respostas dependem da memória do entrevistado e de sua vontade de relatar o que viveu. Sendo a memória seletiva, é impossível lembrar sem esquecer. O que o entrevistado nos conta, geralmente, fala mais sobre si mesmo e sobre o que hoje pensa sobre o que ocorreu do que necessariamente sobre os fatos que ocorreram. Como penetrar nesses labirintos? Onde termina e começa a subjetividade? Será que o entrevistado nos fala sobre o que viveu ou sobre o que hoje pensa sobre isso?
Não existem respostas claras e precisas para as perguntas que coloquei acima. Quando trabalhamos com história oral cruzamos a linha que separa a subjetividade da objetividade. Trabalhamos com antropologia, sociologia e psicologia, tentando entrar em um mundo que foi no passado, mas que pertence a um ser que conosco divide o presente, mas que viveu algo que atualmente tentamos entender.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Celso Russo (Programa de História Oral)


Geralmente nas terças feiras, entrevistamos antigos e novos colaboradores no intuito de conhecer um pouco mais das trajetórias individuais daqueles que diariamente vivem e configuram a Carris, seus colaboradores. Numa dessas terças entrevistamos, na sala da unidade de Compras da companhia, o senhor Celso Roberto Lopez Russo que trabalha na Ferramentaria, setor que faz parte da manutenção da empresa.
A relação de Russo com a Carris começou antes que ele ingressasse na companhia, quando tinha 14 anos e trabalhava entregando material de escritório. Costumava, nessa época, subir com o bonde a avenida Alberto Bins muitas vezes pendurado na porta como bom menino travesso. Entre as muitas histórias que relatou, cita um tio que, numa curva do bonde, bateu a cabeça no poste. Esse fato, embora nos chame a atenção atualmente era, segundo nos relatam os jornais de época, algo corriqueiro devido ao hábito que alguns transeuntes tinham de viajar nos estribos do bonde, agarrados em suas portas. Assim como outros que também entrevistamos, Russo nos falou do chamado bonde “fantasma”, uma espécie de veículo coruja que passava no início da madrugada pelo bairro glória. Quem fazia esse trajeto era um bonde “gaiola”, veículo de quatro rodas que balançava muito em cima dos trilhos, o apelido vem do fato de ser menor que os outros.            
Professor Russo, como é carinhosamente chamado, entrou na Carris em 1989 como motorista, de 1992 a 1993 tornou-se mecânico de pista, responsável pela verificação das condições dos veículos. Em 1996 ele foi emprestado para a prefeitura e desde 2009 trabalha na oficina da empresa. Celso esteve presente em vários momentos importantes na história da Carris, entre eles na intervenção da prefeitura em 1989. Russo viveu esse momento marcante para a história de Porto Alegre na “linha de frente” como motorista da Restinga. Segundo ele, um belo dia chegou à companhia e lhe avisaram que ele faria essa linha, como não conhecia a linha os próprios passageiros lhe ensinavam o caminho. De acordo com ele ainda, a Carris assumira, nessa situação, as linhas “complicadas” e reformavam na própria oficina os ônibus para que esses pudessem transitar. Assim, a partir desse momento, as outras empresas também são obrigadas a investir na qualidade dos coletivos.
Com um carinho especial pela Carris, Russo reforça o que considera pontos extremamente positivos da Companhia e da sua relação com a população, qualidade dos ônibus (que servem de modelos para outras empresas) e relação amigável entre funcionários, segundo ele: “a Carris mora no meu coração”. Essa relação com a empresa, no entanto, vai além de sua geração, de acordo com o professor seu tio-avô já havia trabalhado na Carris como eletrecista.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Nos caminhos da história oral (parte 1)



Como os leitores do blog sabem, usamos, entre outras, na Carris, a metodologia da história oral. Nosso intuito, através disso, é valorizar e, em certo sentido, resgatar parte da memória coletiva não só dos colaboradores antigos e atuais, mas também daqueles que usam o transporte coletivo e o tem como parte de suas vidas. Sendo os ônibus (e anteriormente os bondes) parte da urbe, compreender essas histórias entrelaçadas na mente e sentimento de cada cidadão é também entender a história da cidade, dos seus entornos, de suas ruas, avenidas e voltas que só conhece aquele que diariamente cruza por esses lugares.
Refletir sobre a história oral pode ser considerado também um caminho pedregoso, pois, se, por um lado, hoje ela é valorizada dentro da academia (nos referimos aqui às universidades, principalmente) por muito tempo essa história foi colocada em descrédito ou vista com maus olhos. A história oficial, a que devia estar nos livros de escola e de bibliotecas, era a do documento escrito nos arquivos do governo. Essa devia ser mapeada, analisada, estudada e escrita. A história oral era artigo de “segunda categoria” que não devia te grandes espaços no trabalho do historiador.
A própria história é periodizada tendo como eixo principal os documentos escritos. Não é a toa que o período gigantesco onde não se tem basicamente registros escritos é chamado genericamente de “pré - história”. As imagens, pinturas ruprestes e vestígios encontrados não eram, dessa forma, primeiramente, objetos de estudo do historiador. Por outro lado, a memória oral é encontrada nas tradições, nos mitos e lendas populares, ou seja, lugares que até pouco tempo não eram tidos como parte de uma verdadeira “história oficial”. Em outras palavras, embora a metodologia da história oral possa ser usada nos mais diferentes eixos da história contemporânea, ela surgiu e é usada, na maioria das vezes, com o intuito de valorizar e registrar a memória daqueles que durante muito tempo estiveram distante dos registros oficiais: o povo. Quer saber mais sobre história oral no Brasil? Entre aqui.



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Entrevista com Luiz Fernando Sena



Como os leitores de nosso blog sabem, trabalhamos no Memória Carris com a metodologia da história oral. Dessa forma, fazemos periodicamente entrevistas com antigos (ou não tão antigos) funcionários da Carris. Temos um roteiro prévio, mas a ideia nesses momentos é deixar o entrevistado a vontade, fazendo com que ele nos relate o que, na sua percepção, é relevante ou o que, de uma forma ou outra, marcou sua relação com a empresa ao longo dos anos.
Luiz Fernando Sena foi nosso entrevistado na quinta feira (dia 07/04). Motorista da linha T9 desde que essa foi inaugurada, em 2000, Sena é funcionário há 33 anos. Passando por diversas experiências, Sena destacou em todo tempo o carinho que tem pela companhia onde fez amigos e construiu história. São três décadas de memórias e lembranças que envolvem inclusive sua vida pessoal já que seu filho hoje com 35 anos na época de sua entrada na empresa tinha dois anos.
Com grande amor à profissão, Senna já encenou peças de teatro na Semana da Consciência Negra e periodicamente promove festas na Companhia. Com grande entusiasmo ele fala de sua vida na Carris e da marca que essa deixou em sua vida. Participante de cursos periódicos e de aperfeiçoamentos, Sena procura fazer seu trabalho com dedicação e muito carinho, transportando as pessoas com responsabilidade e atenção. Segundo ele, é possível perceber, no andar diário dos veículos, a transformação nos bairros por onde transita o T9: as antigas casas deram lugar a dezenas de prédios que mudaram o design dos locais.
Além disso, muitos dos que foram seus passageiros quando crianças são hoje adultos e os filhos desses, por sua vez, andam também nos veículos dirigidos por ele. De acordo com Sena, seu filho, tal como o pai, deseja ser motorista da Companhia o que, para ele, é uma grande alegria: deixará seu legado na empresa. Na foto acimaa, imagem da cena de teatro  teatro presentada na Semana da Consciência Negra na Carris há alguns anos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Entrevista com Boca Cheia

Segunda (21/03), na Memória Carris, tivemos a visita de Élson Nei de Mello Viana, colaborador da manutenção na área de apoio. Além de nos fazer uma visita, Élson também nos fez a gentileza de conceder uma entrevista após seu expediente de trabalho. Entretanto, na Carris talvez poucas pessoas conheçam quem é o Élson, já que, nos corredores da companhia, ele é carinhosamente chamado de “Boca Cheia”.
Primeiramente então podemos esclarecer aos nossos leitores o porquê do apelido inusitado. Segundo nos relato o “Boca”, como é carinhosamente chamado, num de seus primeiros dias de trabalho, quando ainda não havia um horário estabelecido para o lanche, pela manhã seu chefe o chamou. Seu colega informou que ele estava ocupado, lanchando, “de boca cheia”. Durante a tarde o mesmo fato ocorreu e o apelido pegou quando seu chefe começou a chamá-lo de “Boca Cheia”.
  Boca Cheia nos contou várias de suas histórias na companhia, já que, além de funcionário há 23 anos, Élson sempre se envolveu em manifestações culturais dentro da empresa. Sua atuação no grupo de teatro, por exemplo, iniciou já nos primeiros anos de Carris. Apresentando peças inicialmente dentro da empresa, os atores amadores ainda tímidos costumavam fazer um “teatro de sombras”, atuando com seus vultos atrás da tela. O grupo Sombra & Ação foi oriundo de outro grupo teatral Pura Arte mantido desde o início dos anos 80 pelo cobrador Miguel Nunes. Segundo Boca Cheia, além de apresentações na empresa, o grupo costumava viajar para várias cidades no interior do Rio Grande do Sul.
Além de nos contar histórias do grupo de teatro, Boca Cheia nos relatou sobre os primeiros anos do Memória Carris, em 1989, quando ele iniciou, no Galpão da Empresa, na época chamado de “Centro de Treinamento”. Segundo nos contou Élson, ali funcionava, na época, uma infinidade de serviços: serviço social, brechó, barbearia, lugar de interação para os funcionários e uma sala onde ficava os materiais da Memória Carris. Hoje, o galpão já não existe e os funcionários da Carris dispõem de uma sede social na empresa, algo inédito na história da companhia, como nos relatou Boca Cheia. Veja aqui vídeo com o Boca Cheia recitando poemas na Câmara Municipal na comemoração dos 135 anos da companhia.


 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

1ª Roda de Memória

Na última quinta-feira (16/12) realizamos nossa 1ª Roda de Memória, na sede da Cia. Carris ao lado da Operação. Contamos com a participação de vários colegas, que adiantaram suas atividades para participarem do evento que começou às 16h20. Além dos colaboradores ativos, recebemos muitos aposentados, que dedicaram seu trabalho por muitos anos na Companhia e, portanto, vieram compartilhar um pouco das suas memórias, demonstrando a relação que se estabelece entre o meio de transporte coletivo, a cidade, os porto-alegrenses e a Carris. Agradecemos as estagiárias do Museu do Trem em São Leopoldo, a Edna do Centro Histórico da Santa Casa, ao pessoal da “Memória Gaúcha” e ao Fabiano Del Rey da Ativa que vieram prestigiar o evento e a todos que colaboraram para sua realização. A “Roda” foi um espaço de sociabilidade muito enriquecedor para todos os presentes e para o acervo da “Memória Carris”.

Na ocasião lançamos a exposição “TRAJETÓRIAS”. Infelizmente, devido ao vento forte, tivemos que reformular sua disposição amarrando os banners atrás da mesa dos depoentes, fato que dificultou o acesso à mostra. Esta exposição foi um grande desafio para a equipe. Nosso objetivo foi homenagear os cinco funcionários mais antigos da empresa em atividade, destacando-os como sujeitos desta história centenária. Para tanto, produzimos um banner para cada personagem, com textos e imagens sobre suas trajetórias na Carris. Esse material ficará exposto na Companhia.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

1ª Roda de Memória

Venha participar de  nossa 1ª Roda de Memória,  a realizar-se no dia 16 de dezembro de 2010, às 16h. O evento  será aberto ao público em geral, ao lado do Setor da operação. Com o objetivo salvaguardar as memórias e histórias da Carris.Na ocasião, será lançada uma exposição em homenagem aos 05 funcionários mais antigos da Cia. Carris.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“Crônicas de uma cidade em movimento”







Venha participar de um “Bate-papo” com os escritores Luiz Coronel, Silvio Belbute, Carolina Albuquerque e o Secretário de Cultura do Município Sergius Gonzaga com a mediação de Daniely Votto, no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul, no dia 04 de novembro de 2010, às 18h. O evento estará na programação paralela da Feira do Livro de Porto Alegre. A proposta é conversar sobre a relação Carris – Porto Alegre – Porto-Alegrenses, compartilhando histórias do transporte coletivo na cidade e o que ele representa na vida das pessoas. O espaço estará aberto para a participação dos presentes e internautas que desejarem questionar ou, então, comunicar suas memórias. O evento lançará o projeto “Crônicas de uma cidade em movimento”, onde serão lançados marcadores de páginas estilizados. De um lado, fotos antigas e atuais dos bondes e ônibus pelas ruas e avenidas de Porto Alegre e, de outro, pequenos textos dos escritores mencionados a cima, abarcando as diferentes relações entre Carris e a capital gaúcha.

Considerando a presença da Memória Carris nas mídias e redes sociais, estaremos no térreo do Mercado Público de Porto Alegre com um computador, a partir de uma parceria com a Procempa, no período de 03 a 13 de novembro, das 12h às 19h. Na ocasião, a população poderá acessar do local as mídias e redes e escrever “como a Carris marcou sua vida”, divulgando suas relações com o transporte coletivo e a cidade. Os participantes ganharão um marca página do projeto “Crônicas de uma cidade em movimento”. Pretendemos divulgar a Memória Carris e estreitar relações com a comunidade a partir da Web 2.0.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dona Claudete




Já falei aqui sobre as pessoas que não aparecem para o público, mas são essenciais para a execução do trabalho diário. São os profissionais que trabalham por trás das cortinas, fazendo de tudo para que o espetáculo seja perfeito. Na Carris, dezenas de colaboradores limpam e consertam os ônibus de dia e noite, possibilitando a perfeição do serviço prestado. No caso do Memória, além do pessoal da manutenção, que volta e meia presta-nos apoio, a Dona Claudete é quem realiza diariamente a limpeza do museu, garantindo a alegria da garotada.
Ela é conhecida na empresa por sua simpatia e carisma. Exemplo de dedicação e trabalho, é formada em história, com Especialização em Escola Contemporânea pela Fapa (Faculdade Porto Alegrense). No entanto, ao entrar na Companhia, em 1992, Dona Claudete ainda não havia terminado o ensino fundamental. Com a oportunidade de fazer cursos dentro da própria empresa, ela estudou e obteve a aprovação nas provas da SEC (Secretaria da Educação) que lhe possibilitaram conseguir o certificado do ensino fundamental e médio. A professora já trabalhou como voluntária em várias escolas e ministra constantemente aulas, na Carris, para os alunos do Curso de Desenvolvimento de Competências Profissionais.
Aos 64 anos, Dona Claudete é a responsável pela limpeza do Memória, não só no dia-a-dia, mas, também, a que realizamos anualmente com a retirada do acrílico. Ela faz tudo com muita dedicação e esforço, mostrando a todos, com seu trabalho, o grande carinho que tem pela Carris. Ela garante a visita perfeita, nas idas e vindas do Memória.