Nosso Museu está de Parabéns! Apesar de enfrentarmos uma série de dificuldades referentes às questões estruturais, principalmente nos períodos chuvosos, o Memória foi homenageado. O Museu Itinerante Memória Carris recebeu o Prêmio COMPAHC 2009 – Mérito ao Patrimônio, solenidade que ocorreu na última quarta-feira, no Paço Municipal. Ao lado de 24 homenageados, entre personalidades, empresas e instituições nosso Museu esteve presente.
Há 21 anos um ônibus monobloco da Mercedes Benz, de 1984, abriga a memória da empresa mais antiga de transporte coletivo no Brasil, em funcionamento – a Companhia Carris Porto-Alegrense. Como já foi abordado em postagens anteriores, a Carris está diretamente relacionada ao desenvolvimento urbano da nossa Capital. A chegada dos primeiros bondes (1873) – a tração animal – e, posteriormente, com o advento da eletricidade – os Elétricos (1908) – fizeram com que Porto Alegre fosse perdendo suas antigas características rurais. Acrescentamos a esta trajetória os ônibus, que, ao contrário dos bondes, continuam pelas ruas garantindo a mobilidade urbana aos porto-alegrenses. A Carris e a cidade de Porto Alegre são memórias indissociáveis, pois suas histórias são “trilhadas” por caminhos simbiônticos. Quando se fala em Carris, inevitavelmente, fala-se em Porto Alegre.
O trabalho desenvolvido pelo Museu abarcou equipes distintas que possibilitaram este ano, após atingir sua “maior idade”, esta belíssima homenagem. Tenho certeza que este reconhecimento se faz presente pelo trabalho dessas diferentes personagens que transitaram pelos trilhos da história do transporte. Aproveito-me da atual condição de monitora do Memória e de administradora deste blog, para parabenizar com maior veemência o colaborador Eloy. Nosso querido Chefia, que há muito tempo faz parte desta história. Ao levar o Memória aos diversos cantos da cidade, ele vai “guiando” a educação e a cultura para pessoas que, na maioria das vezes, estão muito distantes dessas premissas que deveriam ser a base para a nossa sociedade.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Prêmio COMPAC 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Gremio Football Porto-Alegrennse - 106 anos de histórias
“Todas as músicas tem a sua história. Quase sempre falam ao coração. Esta também fala ao coração: ao coração do mundo desportivo do Rio Grande do Sul”.
Assim, o jornal Diário de Notícias se referia à primeira vez que o hino do Grêmio de Foot-ball Porto-Alegrense seria tocado ao público. Hoje, 15 de setembro, o tricolor dos pampas completa 106 anos de histórias e títulos. E quando o torcedor ouve “Até a pé nós iremos, para o que der e vier”, se emociona e relembra as glórias passadas. O que pouca gente sabe é que esses versos têm relação com um acontecimento da história do transporte coletivo de Porto Alegre.
O jogo era Grêmio x Cruzeiro, valendo pelo 1º turno do campeonato da cidade. À época, um dos grandes clássicos do estado. A data era 21 de junho de 1953, domingo. O tricolor precisava vencer para ter chances de alcançar o Internacional na tabela, já que tinha perdido na rodada anterior para o Renner (que seria campeão estadual no ano seguinte). O local era o Estádio da Baixada, atualmente o Parcão (o Olímpico só seria inaugurado no ano seguinte). Só que haveria um grande problema para se chegar ao estádio.
Na sexta-feira, dia 19, os motoristas e cobradores da empresa SOUL (que à época fazia algumas linhas da zona norte) entraram em greve. Queriam aumento de salários. Na época, a inflação era grande. Diziam que “na maioria são homens que possuem os encargos de família e não podem consentir que o aumento de seus salários, presentemente irrisórios, seja retardado e não passe de promessas”. A resposta da prefeitura foi cassar a concessão das linhas da SOUL na zona norte. A Companhia Carris, na época empresa particular, pertencendo à norte-americana Bond & Share, contribuiu, para tentar normalizar a situação, reforçando as linhas de bondes dos bairros Floresta, Navegantes e São João.
No sábado, dia 20, foi a vez da empresa Teresópolis. O motivo era o mesmo: aumento de salários. “Somos chefes de família e não queremos prejudicar o povo com nossa parede [nome dado à greve naquele tempo]”. Membros da SOUL e da Teresópolis passaram a tentar convencer funcionários de outras empresas a aderirem à greve. Uma boa parte deles se solidarizou aos grevistas, complicando o transporte coletivo de Porto Alegre. O motivo continuava sendo o mesmo: “reivindicando, junto aos empregadores, uma melhoria de salários, em virtude dos seus orçamentos já não comportarem as despesas atinentes aos encargos da família, dado o crescente aumento do custo de vida, observado dia a dia”.
No domingo, dia do jogo, eram 122 carros parados nas garagens (haviam 239 em toda a cidade). Era uma das maiores greves já então vistas. As linhas São João, Glória e Teresópolis, da Carris, aderiram à greve, mas a empresa não aderiu totalmente. Outras linhas operaram com menor capacidade, já que a prefeitura e algumas empresas deslocaram ônibus para cobrir as linhas onde trabalhavam os grevistas. Uma dessas linhas prejudicadas era a Independência, servida por ônibus e bonde. Justamente a que os gremistas precisavam para chegar ao estádio (além da linha especial Futebol, como há atualmente). Os coletivos foram e voltaram superlotados. Muitos até a pé foram, originando a primeira frase do hino gremista.
Na terça-feira, dia 23, a greve foi encerrada, com a promessa de aumento de 70% nos salários dos motoristas, e 60% no dos cobradores. Essa greve provocou uma reação da prefeitura, que resolveu encampar (ou seja, assumir o controle) todas as empresas incapazes de cobrir esse aumento e de investir na melhoria de seus carros. Em 1953, diversas empresas foram encampadas pela prefeitura, inclusive a Carris.
Quanto ao jogo, que segundo a imprensa, foi fraco, o Grêmio, desfalcado do craque Tesourinha, que havia sofrido um acidente de carro dias antes, venceu por 1x0, com gol de Milton. O Grêmio jogou com: Sérgio, Pipoca e Orli; Hugo, Laerte II e Joni; Milton, Gringo, Mujica, Camacho e Torres. Já o Cruzeiro veio com: Deoli, Machado e Rui; Laerte III, Casquinha e Xisto; Tesourinha II, Hofmeister, Orceli, Nardo e Jarico.
Após o jogo, o repórter do jornal Diário de Noticias, Wilson Muller, pediu a Lupicínio Rodrigues que composse uma marcha para o cinqüentenário do clube. Nos dias (ou melhor dizendo, nas madrugadas) seguintes, se encontraram Lupicínio (ou Lupi), Ruy Silva, o escritor, Campanella, orquestrador, e Silvio Luiz, cantor da Rádio Farroupilha. No dia 16 de agosto, já pelo 2º turno do campeonato da cidade, numa vitória de 2x0 sobre o Aimoré, de São Leopoldo, o hino foi ouvido pela primeira vez pelos torcedores, pela Rádio Farroupilha, com o som sendo reproduzido pelos alto-falantes do estádio.
E assim surgiu um dos maiores símbolos do futebol gaúcho: o hino tricolor, numa relação quase desconhecida com o transporte coletivo de Porto Alegre. Ao final de tudo, o Grêmio perdeu o 1º turno do campeonato da cidade. O campeão foi o Internacional, após empatar o Gre-Nal decisivo do dia 5 de julho por 1x1, no Estádio dos Eucaliptos.
Marco Luft
Boas vindas!
Gostaria de expressar que estou muito feliz em poder dividir esta experiência com colegas que estão trilhando a sua formação, assim como eu. Posso assegurar que o dia-a-dia com o Museu Itinerante Memória Carris é, no mínimo, uma vivência enriquecedora, em todos os aspectos. Durante o trabalho, a cada atividade exercida, acrescento elementos que vão contribuindo para o meu amadurecimento profissional e pessoal. A convivência com crianças e adolescentes nas escolas revela-se uma “caixinha de surpresas” a cada visita. É incrível como estamos fadados a eternos aprendizes. A princípio, chego às escolas, na qualidade de monitora, para levar informação, no entanto, esta prática torna-se recíproca. A cada encontro novas experiências, “um novo retalho a ser tecido na gigante colcha da vida” . Quanto ao trabalho de pesquisa, devo confessar que 137 anos de empresa exige que, às vezes, nos transformemos em “ratinhos”, ou seja, entrar num arquivo e esquecer que há vida fora daquelas paredes (risos). O que dizer sobre este blog e o Volante (jornal interno da Carris, no qual escrevo uma coluna mensal)? Cada texto uma barreira vencida, acho que é mais ou menos assim que percebo este grande desafio. Sem falar nos colegas da Carris que convivo semanalmente, suas particularidades compõem uma pluralidade extremamente interessante de se partilhar.
A participação do André, do Bem Hur e do Marcos, com certeza, será mais um momento que possibilitará uma belíssima troca de experiências. Além da participação nas escolas, este espaço estará aberto para que eles possam postar seus textos, dividindo com a gente suas “histórias e memórias”.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
"Saudade dos carnavais de antigamente...De tanta gente no bonde"


Neste blog comentamos, seguidamente, sobre a intimidade entre os porto-alegrenses e os bondes, durante o longo período que este meio de transporte circulou pelas ruas da Capital. Esta relação é percebida pela constante presença desses veículos e de seus tripulantes (Motorneiro e Condutor) nas crônicas e músicas gaúchas. Como não poderia deixar de ser, no carnaval lá estavam eles. Muitas marchinhas faziam referência aos Elétricos e seus personagens.
No entanto, não foi só em Porto Alegre que esses veículos demarcaram seu espaço no cenário cultural. Sendo o bonde uma figura tão popular, foi protagonista de muitas músicas de sucesso nas mais diferentes localidades em que esteve demarcando o urbano. Canções que abarcavam o cotidiano da população com os Elétricos. Retratos das mais singelas viagens, com suas paradas habituais, além da saudação rotineira do gentil senhor ao motorneiro. Outras letras retratavam ainda cenas mais pitorescas, como uma “cantada” na moça que estava ao lado, o jovem que despistava o condutor e seguia seu destino sem pagar a passagem ou, então, as traquinagens da criançada que garantiam sua diversão ao incomodar o “seu” condutor e o “seu” motorneiro.
Em postagens anteriores abordamos essa relação da música com os bondes, falando sobre dois grandes mestres da música popular brasileira: Octávio Dutra (gaúcho) e Noel Rosa (carioca). Acima temos a partitura de uma marcha do carnaval de 1938. A autoria deste sucesso da década de 1930 é da dupla caipira Alvarenga e Ranchinho. Suas letras satirizavam os políticos da época, o que acabou fazendo da dupla, ocasionalmente, alvo de perseguições.
No mesmo ano J. Casacata e Leonel Azevedo brilharam com a marchinha Não Pago o Bonde:
“Não pague o bonde iaiá
Não pague o bonde ioyô
Não pague o bonde
Que eu conheço o condutor”.
Os festejos de 32, Noel Rosa e Eduardo Souto lançaram a música Palpite:
“Palpite
Palpite
Nasceu no crâneo de quem teve meningite
Num dia desses perguntaste ao condutor
Se os bondes passavam na rua do Ouvidor”.
A marcha Zizinha de José Francisco de Freitas fez sucesso no carnaval de 1926, abordando a bolinação nos Elétricos, fato corriqueiro na época:
“Noutro dia num bondinho
Um coronel já bem velhinho
Deu-me um beliscão
Pegou-me na mão.”
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Mais de um século de histórias...
Mario Quintana era um apaixonado por bondes, assim como muitos porto-alegrenses. Embaralhada num sentimento nostálgico, sua poesia demonstra que os Elétricos ficarão eternizados no imaginário da cidade. Através das lembranças daqueles que conviveram com esse meio de locomoção, os bondes estabelecem sua permanência. Mais do que uma forma de se transportar, estes veículos, que trafegaram pelas ruas de Porto Alegre por quase um século, marcaram trajetórias de vida.
Assim como Quintana, outros literatos, cronistas e compositores demonstram, através de suas obras, a representação dos Elétricos para os porto-alegrenses. Histórias e memórias que se perpetuam entre as diferentes gerações. Embora nosso poeta não esteja mais entre nós para festejar seu aniversário, a data é comemorada. O patrono da Casa de Cultura Mario Quintana foi homenageado na semana passada com uma programação especial que demonstra a imortalidade de sua obra.
Meu bonde passa pelo mercado
O que há de bom mesmo não está à venda,
O que há de bom não custa nada.
Este momento é a flor da eternidade!
Minha alegria aguda até o grito...
Não essa alegria alvar das novelas baratas,
Pois minha alegria inclui também minha tristeza
Tristeza...
Meu companheiro de viagens, sabes?
Todos os bondes vão para o Infinito!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Dia do Amigo

Hoje, dia 20 de julho, é dia do amigo. Esta data começou a ser comemorada na Argentina, passando a ser adotada em outros países. Um argentino resolveu celebrar a amizade inspirado pela chegada do homem à lua, evento que hoje completa quarenta anos. Para ele, esse momento simbolizava mais que uma conquista científica, a possibilidade de ampliar amizades pelo universo. Entre diferentes locais, o bonde foi lugar que proporcionou encontros constituindo muitos laços afetivos.
Por quase um século os bondes compuseram o cenário de Porto Alegre, sendo palco de muitos encontros entre amigos. Uma volta nos Elétricos rendiam momentos agradáveis aos porto-alegrenses. Hoje eles estão presentes somente na lembrança daqueles que, ao lado de seus amigos, desfrutavam de um belo passeio pela Capital.
Na Argentina, os bondes despediram-se das ruas na década de 1960, deixando assim como aqui muitas lembranças, após sua última viagem em março de 1970. No entanto, em 2007 os bondes voltaram a trafegar em Buenos Aires, sendo além de mais uma opção de deslocamento um atrativo turístico. O trajeto percorre apenas 2 quilômetros, ligando Córdoba à Independência, duas importantes avenidas da capital portenha na região de Puerto Madero (imagem ilustrando).
Em Porto Alegre há um projeto que pretende viabilizar a reintrodução de uma linha de bonde na cidade, assunto abordado aqui. Infelizmente, no momento, esta proposta encontra-se parada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. A volta deste transporte na Argentina pode ser mais um fator a contribuir com o retorno dos saudosos Elétricos na cidade, mesmo que representado apenas por uma linha. Que bom seria se pudéssemos comemorar com nossos amigos, o dia 20 de julho, num gostoso passeio de bonde.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
11° Transposul

A abertura da feira contou com a presença do prefeito José Fogaça e, ao longo do evento, teve a visita de muitos empresários, jornalistas, profissionais ligados ao transporte e, como não poderia deixar de ser, dos busólogos. No último dia da Transposul, Sexta-feira, os visitantes do Memória foram recepcionados pela Dona Claudete, que recebeu todos com muito carinho e atenção.
Neste ano o Museu Itinerante Memória Carris teve a companhia de um ônibus de 1965 da Sogil (foto que ilustra essa postagem), o mesmo que, em maio do presente ano, realizou o trajeto de Gravataí a Porto Alegre em comemoração aos 55 anos da empresa. Embora este evento se diferencie da agenda habitual do Memória, tal oportunidade proporcionou uma vivência entre o que já simbolizou a modernidade com que representa o moderno atualmente. Por meio dessas trocas podemos identificar a fugacidade na qual vivemos e aproximar a História do nosso cotidiano. Já comentei em postagens anteriores sobre a corrida contra o tempo que estabelecemos diariamente, novas tecnologias surgem a todo instante, e a 11° Transposul apresentou aos seus participantes e visitantes, o que há de mais moderno na área de transporte e logística. A participação do Museu, bem como do ônibus da Sogil possibilitou o diálogo entre diferentes períodos da história.
