quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Bondes da Juventude


 

"Muitas vezes acordei de madrugada
com o estrondo daquelas máquinas
rugidoras que cortavam a noite porto-alegrense.
Eram dragões noturnos, aparentemente 
suspensos na neblina, com sua
luminosidade fantasmagórica, seus noctívagos
dormitando nos bancos de madeira.
Abria a janela para me cegar
com seu brilho que agora renasce,
emergindo das cinzas do esquecimento
a que tudo está condenado,
ponto faiscante na memória."

Sergius Gonzaga 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Patrimônio Histórico


Na semana passada comemoramos o dia do Patrimônio Histórico. Os últimos anos têm sido marcados por políticas que valorizam o patrimônio histórico e artístico nacional. Entretanto, ainda permanece uma visão restrita no que se refere ao que é patrimônio e como devem ser realizadas as ações educativas referentes a ele. No primeiro caso a percepção refere-se, na maior parte do tempo, ao patrimônio material – prédios, museus e instituições de memória -, já no segundo, costumamos restringir a educação patrimonial ao espaço escolar. Esta forma de entendimento, no entanto, limitam as leituras do urbano e as formas possíveis de apreensão dos bens culturais pelos citadinos.
Além do monumental, do venerável, o cotidiano pode ser também apreendido como parte do patrimônio que deve ser preservado e valorizado. Esse é o caso do transporte, do trânsito, dos veículos que todos os dias usamos para nos locomover nas ruas e vias da cidade. As memórias dos meios de transporte são elementos representativos de uma metrópole que diariamente se modifica e se transforma. O reconhecimento, identificação e apropriação fazem parte, portanto, do processo de educação patrimonial que não se restringe à escola, mas abarca todos os cidadãos.
A Companhia Carris Porto - Alegrense com seus 139 anos de história pode ser percebida, dessa forma, como patrimônio material, mas também imaterial, nas memórias de seus colaboradores e usuários do transporte coletivo. A trajetória de seus veículos, assim como os ônibus que circulam na cidade, são elementos do urbano, que pertencem aos cidadãos. A educação patrimonial deve ser percebida, portanto, nesse sentido, como um processo contínuo que envolve toda a população, promovendo o fortalecimento da cidadania e a inclusão social. Convidamos à comunidade da Capital e região para acompanhar e participar das ações realizadas, contribuindo, assim, para a percepção do sujeito como parte integrante da cidade, de sua história, memória e cotidiano.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Trajetórias de amor no transporte coletivo: encontros que a Carris proporciona


Já contamos nesse espaço algumas das histórias que escutamos através do nosso Programa de História Oral. Os relatos são múltiplos e envolvem as diversas trajetórias de vidas que se encontram na Carris. A principal característica da Companhia é a mobilidade, sendo uma empresa de transporte, os encontros e desencontros ocorrem em suas linhas de ônibus, como no passado ocorriam com os bondes. No andar do ônibus nas vias da cidade acontecem as relações que podem ser de amizade, de companheirismo ou de amor. Seria impossível relatar todas as histórias de casais que se encontraram através da Carris. Nos tempos áureos do bonde os veículos eram, além de transportes, lugares do flerte, da olhada, da piscadela e do namoro. Entre tantas histórias, relatamos aqui um pouco da trajetória de um casal que se conheceu na Carris e hoje, casados, dividem seu dia na empresa de transporte mais antiga da Capital.
Amarildo Pinho e Renata Pinho se conheceram na integração, momento que os novos funcionários são apresentados aos diversos setores da empresa, à história dessa e às tarefas que realizarão a partir de então. Amarildo já era motorista antes de entrar na Companhia, trabalhando em lotações na Capital. Já Renata iniciou sua trajetória junto ao transporte coletivo na Carris, já que antes trabalhou em bingos. Chamados na turma de 2005, Amarildo e Renata se aproximaram pela primeira vez no churrasco de confraternização realizado após dois meses de trabalho. Desde então o namoro transformou-se em casamento numa relação que já dura 6 anos. No início Renata era cobradora e chegou a trabalhar no mesmo veículo que Amarildo dirigia. No entanto, após três anos, Renata saiu da empresa e trabalhou em outro local. Contudo, não se adaptando a rotina do hospital em que atuava decidiu voltar à Companhia, agora no administrativo.
Numa relação construída no transporte coletivo e através dele, Amarildo e Renata têm como padrinhos de casamento colegas da empresa. O casamento, comemorado num restaurante da Cidade Baixa, ficou lotado pelos rodoviários na comemoração. O casal tem vários amigos no transporte coletivo, mantendo amizades que iniciaram na turma de 2005. Amarildo, no entanto, tem uma relação com a Companhia que pode ser chamada de mais antiga, já que seu pai foi cobrador da empresa no fim dos bondes e início do predomínio dos ônibus. Conhecidos por passageiros e colegas, o casal é muito querido na linha, nos terminais e em toda empresa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Rede Carris

 
 
"Conectando extremos pontos da cidade,
mais que ligar estações,
linkando pessoas
nas teias da metrópole.
Grande rede de fluxos intensos,
num vai e vem incessante,
onde trafegam emoções,
sentimentos, inquietações,
certezas, esperanças.
Pontos de partida são
os mesmos pontos de chegada.
Mais que integrar,
permite o interagir.
Em cada nó do caminho,
mais gente se agrega.
Quem embarcou de um jeito,
não tem jeito,
sempre volta de outro.
Traz de volta muito mais que levou.
Assim vai fazendo história, na sua história,
a história de cada um."

Sílvio Belbute

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Texto referente à exposição Trajetórias no Volante




“Tenho 23 anos de motorista e procuro fazer meu trabalho com dedicação e comprometimento, graças a isso tenho colhido bons frutos”
José Luiz Azevedo Paula nasceu em Cruz Alta, mas reside em Porto Alegre há 35 anos. Antes de iniciar na Carris, já havia trabalhado em empresas de transporte coletivo como cobrador e  posteriormente como motorista. Durante a intervenção da Prefeitura no transporte coletivo (1989), saiu da companhia na qual exercia sua função e começou sua trajetória na Carris. José foi o motorista que inaugurou a linha T5 em 1989 e deu a primeira volta na 3ª Perimetral em 2006. Com uma grande afeição pelo veículo, o homenageado do terminal Aeroporto aprecia cuidar de seu instrumento de trabalho, o ônibus. Para ele, um bom profissional do volante deve ter atenção, educação no tratamento com os passageiros e colegas, além de dirigir sempre com segurança, evitando ao máximo os acidentes e problemas no transito. José trabalha como motorista na Companhia há 23 anos e mantém, ao longo do tempo, uma relação de carinho e dedicação com os passageiros. José já havia sido homenageado em 1993, quando foi considerado motorista modelo de sua unidade. Agora, o destaque se mantém, mostrando que quando cumprimos nossa tarefa com comprometimento, colhemos bons frutos na empresa e na relação com os usuários. Segundo ele, é importante gostar do que faz, pois dessa forma nos sentimos realizados profissionalmente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

“Aqui estou realizado profissionalmente, pois a Carris é a minha segunda casa”. - Parte da mostra Trajetórias no Volante



João Jesus Martins Batista nasceu em Encruzilhada do Sul e veio para Viamão com 14 anos. Em 1985, começou a trabalhar numa empresa de transporte, iniciando sua trajetória como rodoviário na cidade de Viamão. Em 1992, João iniciou sua história na Carris como cobrador do T6. Embora já fosse motorista enquanto trabalhava na roleta, atuou  quatro anos nessa função antes de fazer o concurso para o volante. Dessa forma, em 1996 recebeu aprovação nos testes e iniciou seu trabalho como motorista na mesma linha onde já atuava. Atualmente, são 16 anos no volante e quase 20 de Carris. Devido ao longo tempo na mesma linha, conhece gerações de uma mesma família, acompanhando o dia a dia de seus passageiros. João já atuou na Cipa (Comissão interna de prevenção de Acidentes) por dois mandatos e uma vez na comissão de funcionários, quando participou da fundação da Use Carris (União Social dos empregados da Carris). Em 2006, João foi considerado motorista modelo pela Companhia e teve sua foto estampada em cartazes nos ônibus da cidade. Para o homenageado do terminal da linha T6, o bom motorista deve ter responsabilidade no volante, atenção, educação, cuidado com o veículo e, mais importante que tudo, deve apreciar o que faz.