sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Um bonde no Largo Glênio Peres

Em 1992 a Cia. Carris Porto-Alegrense completou 120 anos. Como parte das comemorações, um modelo de bonde Brill foi reformado e exposto no Largo Glênio Peres. O veículo reformado é o mesmo que encontra-se hoje na frente da empresa, sendo ocupado pelo SACC.
Encontramos em nosso acervo uma matéria de jornal noticiando a reforma do bonde e as impressões colhidas entre os seus visitantes. Trata-se de um texto muito legal, que nos possibilita acessar algumas histórias e lembranças sobre o período dos bondes em Porto Alegre:

"Bonde anima os dias do Largo"*

"O velho bonde Brill instalado no Largo Glênio Peres não vai a lugar nenhum. Em compensação, transporta as pessoas para as suas lembranças e para um passado recente. É uma festa para os mais antigos. Poucos porto-alegrenses com menos de 22 anos conheciam esse veículo de perto. Muitos só tinham ideia do que eram bondes através de fotos amareladas ou pelos trilhos mal encobertos deixados em muitas ruas da cidade. Para gente como a estudante de Artes Plásticas Marília Albert, 19 anos restaram apenas as viagens imaginárias: 'Eu vejo os trilhos e imagino os trajetos', conta. 
Marília foi uma das incontáveis pessoas que visitou o bonde no primeiro dia de sua exposição pública (...). A estudante, por exemplo, foi reportada à juventude do pai, no começo dos anos 60, quando Carlos Getúlio Albert, 50 anos, estudava Teologia em Porto Alegre e fazia o trajeto Centro-Teresópolis. Não dava para dizer quem estava mais emocionado - o pai, com suas lembranças, ou a filha, com sua preocupação em preservar a cultura e a história da cidade. 
MODERNO- Não existe o charme do passado, mas a emoção é a mesma. No bonde restaurado faltam as argolas em que os passageiros iam pendurados, balançando em seu tranco lento. O teto também não é o mesmo. 'Deram uma modernizada nele', reclama Nilza Souza Neto, 47 anos. A alegria dela ao entrar no Brill não tem preço. É preciso muito pouco para fazer as pessoas felizes. 'Esse é o nosso bonde', repetia ela, fazendo uma trilha sonora para mostrar aos mais novos como era o som produzido pelo metálico contato entre o rodado e o trilho (...)". 

*Matéria retirada do jornal Zero Hora de 22 de junho de 1992. Jornalista: Rosane Tremea. 

Trecho da capa do jornal de 1992. 


Nenhum comentário: