terça-feira, 9 de novembro de 2010

Exposição “Visões Além da Retina”



Ontem foi o coquetel de lançamento da exposição “Visões Além da Retina: memórias, esquecimentos e representações”, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Com muita alegria, dedicação e empenho desenvolvemos este trabalho. Com certeza, um grande desafio! Este projeto foi uma parceria do Núcleo do Povo Negro da Carris com a Memória Carris e a Câmara Municipal. Obtivemos o apoio da Secretaria Municipal de Educação – SMED e da Funerária são Pedro, que patrocinou nosso coquetel de lançamento. Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os colaboradores, as pessoas que acreditaram no projeto e que estão agora compondo o terceiro eixo da exposição através de suas imagens, demonstrando as representações contemporâneas do negro em Porto Alegre. As fotos da mostra foram realizadas pelo fotógrafo Marcelo Amaral.
A concepção e a pesquisa desta exposição foram desenvolvidas pela equipe da Memória Carris, juntamente com os historiadores Ben Hur Rezende e Débora Vogt. Esta proposta tem o objetivo de demonstrar, através de fotografias, os lugares de memória do povo negro na cidade, tanto os institucionalizados (Ruas, Praças, Monumentos), como os não institucionalizados, mas reconhecidos como ponto de identificação, como o Parque Farroupilha, antiga Redenção; a Igreja das Dores; o Bairro Rio Branco, antiga Colônia Africana; entre outros. Esses dois primeiros eixos, representativos das histórias do Negro em Porto Alegre, contadas através da materialidade desses espaços físicos, contrasta com o terceiro e último ponto da mostra, fotos de pessoas. Nesse momento, pretendemos destacar que o negro não está presente somente em pontos específicos e periféricos da Capital, que sua atuação abrange os diferentes espaços da esfera social. Não queremos com isso mascarar as dificuldades encontradas por esse grupo étnico, apenas destacar outro lado, que muitos vezes fica concentrado apenas em estereótipos, massificadamente transmitido pela mídia. Pessoas com diferentes atuações profissionais que estão construindo as histórias de Porto Alegre.

domingo, 7 de novembro de 2010

Visões Além da retina: Memórias, esquecimento e representações

O Núcleo do Povo Negro da Carris em parceira com Memória Carris e a Câmara Municipal de Porto Alegre faz o  lançamento da  Exposição Visões Além da  Retina - Memórias, Esquecimentos e Representações. Dia 08 de novembro ás 19h.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

“Crônicas de uma cidade em movimento”







Venha participar de um “Bate-papo” com os escritores Luiz Coronel, Silvio Belbute, Carolina Albuquerque e o Secretário de Cultura do Município Sergius Gonzaga com a mediação de Daniely Votto, no Auditório do Memorial do Rio Grande do Sul, no dia 04 de novembro de 2010, às 18h. O evento estará na programação paralela da Feira do Livro de Porto Alegre. A proposta é conversar sobre a relação Carris – Porto Alegre – Porto-Alegrenses, compartilhando histórias do transporte coletivo na cidade e o que ele representa na vida das pessoas. O espaço estará aberto para a participação dos presentes e internautas que desejarem questionar ou, então, comunicar suas memórias. O evento lançará o projeto “Crônicas de uma cidade em movimento”, onde serão lançados marcadores de páginas estilizados. De um lado, fotos antigas e atuais dos bondes e ônibus pelas ruas e avenidas de Porto Alegre e, de outro, pequenos textos dos escritores mencionados a cima, abarcando as diferentes relações entre Carris e a capital gaúcha.

Considerando a presença da Memória Carris nas mídias e redes sociais, estaremos no térreo do Mercado Público de Porto Alegre com um computador, a partir de uma parceria com a Procempa, no período de 03 a 13 de novembro, das 12h às 19h. Na ocasião, a população poderá acessar do local as mídias e redes e escrever “como a Carris marcou sua vida”, divulgando suas relações com o transporte coletivo e a cidade. Os participantes ganharão um marca página do projeto “Crônicas de uma cidade em movimento”. Pretendemos divulgar a Memória Carris e estreitar relações com a comunidade a partir da Web 2.0.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Arquivo Carris - Acessibilidade documental


Meu nome é Iara, estudante de Arquivologia e integrante da equipe Memória Carris. No mês de novembro completo um ano de trabalho no setor, sob a coordenação da Historiadora Renata Andreoni. Mas antes de começar a trabalhar neste projeto de Memória, tive oportunidade de conhecer e estagiar no Arquivo Geral da Cia Carris Porto-Alegrense.  Apaixonei-me!  Apesar de seu espaço físico não dispor das condições adequadas para a preservação da documentação, é riquíssimo em conteúdo. Informações que nos remetem além do contexto organizacional, conseqüentemente me obrigando a ratificar o “constante discurso” da Renata: “a trajetória da Cia. Carris esta interligada com o desenvolvimento de Porto Alegre. Suas histórias são indissociáveis”. Explico porque: minha atividade de estágio foi um levantamento documental dos dossiês dos funcionários no período de 1940 a 1970. Foi nesse trabalho que constatei esta ligação. A urbanização em Porto Alegre foi se desenvolvendo com a transformação do transporte coletivo – desde a fundação da Carris, em 1872 – e esse, em contrapartida, absorveu tecnologia e mão de obra como consequência. Não tem como conhecer a história da Carris, sem referenciar a de Porto Alegre. No passado os bondes ligavam os arraiais ao centro da cidade, hoje as linhas Transversais encurtam os extremos da cidade. Minha maior recompensa será ver, num futuro próximo, toda a documentação do Arquivo Geral e Arquivos Setoriais devidamente classificados e organizados, prontos para que a comunidade também possa compartilhar de seus registros.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Porto Alegre e Carris: histórias partilhadas

Recebemos no mês passado, através de nossas redes sociais, a sugestão de trocarmos o nome da linha C1 para Duque, considerando a semelhança de trajetos com o antigo bonde Duque. Achamos a ideia muito interessante, pois destaca a presença dos bondes no imaginário urbano de Porto Alegre. O conto O “Duque”, de Maria Cristina Azeredo Maisonnave, publicado no livro “Carris: relatos da história e outras memórias”, em 2002, demonstra a relação da Carris com os porto-alegrenses.

O “Duque”

“O bonde “Duque”, geralmente uma “gaiola”, ligava a Rua Duque de Caxias ao antigo abrigo dos bondes, em frente ao mercado. Era uma linha curta, percorria a rua sem observar as paradas, o motorneiro parava na frente das casas quando via os moradores esperando.

Eu era menina, viajava no “Duque” com minhas tias. Ainda me lembro daquele jeito simples, tranqüilo, que se sentia no bonde, funcionários e passageiros se conheciam, conversavam, trocavam receitas de chás caseiros...

“Boa tarde, trouxe um pedaço do meu pão para o senhor.” “Obrigado!” “Bom dia, dona Ignácia, melhorou reumatismo?” “Sim, obrigada!” “Seu marido não apareceu ontem, dona Merica.” “É que ele está amolado.” “Bom dia, o senhor sabe se a dona Elvira já foi para o mercado?” “Já foi, ela vai lhe esperar lá.”

Tempos de vida calma, sem medos, não havia pressa, as pessoas cumprimentavam o motorneiro, que sabia onde cada uma iria descer.

Uma vez, uma senhora subiu com uma menina, na Praça do Alto da Bronze, quando chegaram no abrigo dos bondes, uma chuva forte caiu. A senhora se assustou, pois não poderia descer com a pequena (convalescendo do sarampo), mas precisava pegar dinheiro no banco. Prontamente o motorneiro disse que ela deixasse a menina no primeiro banco, que olharia e que fosse descansada, pegaria o bonde na outra volta. E foi o que ela fez. Lá se foi tranqüila, e a pequena, satisfeita, ficou passeando de bonde...

Assim era o bonde “Duque”, amigo, cordial, calmo, espelhando a vida da nossa Cidade naquela época”.

                                                                                          Maria Critina Azeredo Maisonnave

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Carris e o Acampamento da Semana Farroupilha


Estamos perto do dia 20 de setembro, período em que rememoramos a Guerra dos Farrapos. Desde 1987 o Parque da Harmonia começou a receber, oficialmente, o Acampamento da Semana Farroupilha, pessoas de diferentes cantos do Estado se encontram para vivenciar intensamente, durante duas semanas, os costumes  que vão compondo a identidade gaúcha. No entanto, esse evento ultrapassa os limites da tradição constituindo um grande espaço de sociabilidades, onde as pessoas encontram um ambiente de lazer e entretenimento.

Como não poderia deixar de ser, a Carris participa do evento, através do Centro de Tradição Gaúcha Herança Pampeana, que começou como Piquete, na década de 1970. A participação no Acampamento ocorre, aproximadamente, há 09 anos. Anteriormente, os acampamentos aconteciam dentro da sede da empresa, havia um local destinado, onde os colaboradores traziam suas barracas, faziam fogo de chão e cultuavam os costumes que integram a tradição gaúcha. Também ocorriam “Gincanas Tradicionalistas” que movimentavam as atividades da Semana Farroupilha na Cia., com premiações para a melhor poesia, melhor pilcha, melhor música, entre outros.  Fatos como esses demonstram que a Carris vai muito além de uma empresa de transporte urbano, ela se constitui como um Patrimônio da cidade, através dos laços afetivos que mantém com a população porto-alegrense há mais de um século.

Nesta quarta-feira (15/10) a Carris irá receber a centelha da Chama Crioula, que será trazida por um grupo de, aproximadamente, 40 cavaleiros que partirão do Acampamento Farroupilha às 8h30min, com previsão de chegada na Cia. às 11h30min.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Carris nos dois lados do Atlântico

A nossa Companhia Carris tem uma co-irmã, no outro lado do Atlântico, a Carris de Lisboa, em Portugal. Ambas foram criadas em 1872, a Carris de Lisboa foi fundada em 18 de setembro, e a de Porto Alegre, em 19 de junho. Os primeiros carros elétricos começaram a circular na capital portuguesa em 1901, enquanto, por aqui, os bondes puxados por mulas começaram a ser substituídos em 1908. Na década de 1940 foi inaugurado o serviço de ônibus nas terras de “além mar”, na capital gaúcha esses veículos já funcionavam desde 1929. Embora existam pequenas diferenças na cronologia das duas empresas, as duas tiveram papel fundamental no desenvolvimento urbano, bem como grande importância para a mobilidade dos cidadãos porto-alegrenses e lisboetas, até os dias de hoje.


A história da nossa "co-irmã" é contada para a população, desde 2000, no Museu Carris, um espaço que demonstra a importância dessa memória centenária. Por meio de documentos e objetos expostos os visitantes podem realizar uma viagem no tempo, que continua sendo construída na cidade. A Carris de Lisboa, bem como a Cia. Carris Porto-Alegrense fazem parte de nosso passado e presente, são narrativas construídas no do dia a dia do cidadão.

Embora em Porto Alegre os bondes tenham deixado de circular em março de 1970, em Lisboa eles continuam em pleno funcionamento. Tanto os antigos, pequenos e construídos em madeira, como os modelos novos, modernos e sofisticados. Seja sobre os trilhos ou sobre o asfalto a história dessas companhias continua sendo escrita nos dois lados do oceano, através da participação de seus usuários e colaboradores. Narrativas que estão para além das páginas dos livros, fazem parte do cotidiano das cidades.