quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O Memória já tem história


<><>O Memória Carris, que carrega o passado da empresa mais antiga do país, já tem história. Esse ano comemora-se 20 anos de sua criação, pelo decreto 9.125. São duas décadas de troca de experiências e de histórias, da empresa que tanto marcou a capital nas fazes iniciais de seu desenvolvimento.
<><>O objetivo da criação era conservar as peças e a memória dos antigos bondes, que tanto fizeram parte do cotidiano dos porto-alegrenses durante o final do século XIX e boa parte do XX. A intenção era também possibilitar o acesso de estudantes e pesquisadores, além de permitir a divulgação dos elementos bibliográficos. No momento da criação a Memória localizou-se na sede da empresa, na rua Albion, sendo supervisionada pela Secretaria da Cultura, através do Museu de Porto Alegre.
<><>Depois de alguns anos, o Memória Carris, que agora está dentro de um ônibus, reúne não só o passado da empresa, mas o seu também, já que a cada ano reúne histórias e experiências em suas passagens por Porto Alegre. Desde que se tornou itinerante (dos dados que temos, seria 1995), ele tem cruzado a capital, levando aos estudantes (principalmente) a oportunidade de conhecer aquela que é, também, a história de sua cidade. Quando passamos por ruas onde há alguns anos passavam os antigos bondes, rememoramos o passado e promovemos uma troca entre antigas e novas histórias.
<><>Essa semana digitalizei as fotos históricas do Memória, quando as peças estavam numa sala da empresa e havia outro ônibus também. Pela análise das fotos, ficava onde era o antigo Centro de Treinamento, hoje chamado de galpão, na parte onde hoje é o refeitório. Na foto acima, o lugar onde se localizava o antigo Memória Carris.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Memória Carris na mídia


<><> A história da Carris e o museu Memória foram notícia nessas últimas semanas. Sexta passada (04/01), em virtude dos 135 anos da primeira viagem de bonde, a TVE e a UlbraTV fizeram-nos uma visita e puderam conhecer um pouco da história da mais antiga companhia de transporte em funcionamento. As matérias podem ser conferidas no you tube http://br.youtube.com/watch?v=iNjbEwVWX-c e http://br.youtube.com/watch?v=ujEapT12oWc. Ontem (dia 10/01), a história da Carris e o Memória Carris foram notícia também no jornal do bairro Menino Deus, está vocês podem conferir mais acima.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Chuvas e inundações na história de Porto Alegre


<><>As inundações foram freqüentes em boa parte da história de Porto Alegre. Nesses tempos, o bairro Praia de Belas, por exemplo, não era aterrado ainda, sendo parte do Guaíba. Na segunda metade do século XIX e primeira metade do século XX, a capital gaúcha ficou diversas vezes literalmente debaixo d’água. As enchentes invadiam as casas do centro e os prédios públicos, fazendo com que muitos perdessem seus pertences. O Mercado Público, por exemplo, sofreu diversas vezes com as águas, especialmente com a famosa enchente de 1941, na qual os barcos se tornaram o principal meio de transporte.
<><>Com as inundações, muitas empresas também saíram prejudicadas, entre elas a Carris que também esteve presente nas fortes chuvas que marcaram a história da capital. A primeira sofrida pela empresa foi em 1873, ano de inauguração das linhas de bonde a tração animal. Geralmente os meses de chuvas intensas são em setembro e nesse caso não foi diferente. Nessa época não havia medições da altura do Guaíba, mas historiadores afirmam que chegou a 3,60 metros, a rua da Praia (Andradas) e do Caminho Novo (Voluntários da Pátria) ficaram completamente interrompidas. Por causa das chuvas, o serviço de bondes sofreu prejuízos e acabou sendo interrompido até o mês de novembro. Em 1926 também choveu muito e era possível andar pela cidade usando barcos, mas para esse período não temos informações sobre o que ocorreu com a Cia. Carris.
<><> Um dos documentos que mais temos acesso tanto no Arquivo Histórico como na companhia são os Relatórios de Diretoria, que representam grande número da documentação disponível. Hoje estive examinando os relatórios do ano de 1936. Nesse ano, Porto Alegre novamente sofreu com as chuvas torrenciais dos meses de setembro e outubro, o tráfico de bondes foi interrompido e a Carris perdeu muito material rodante. O fornecimento de carvão foi interrompido à Companhia Energia Elétrica Rio Grandense, fazendo que essa aumentasse o custo da energia usada pela companhia de bondes elétricos. Após 1941, foram adotadas várias medidas visando conter as cheias, que se tornaram menos freqüentes, mas voltaram a acontecer entre 1965 e 1967. A foto acima é da enchente de 1941.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Datas diversas para o aniversário da Carris


<><>Hoje (04/01), faz exatamente 135 anos que o primeiro bonde a tração animal percorreu as ruas de Porto Alegre. Dia 4 de janeiro de 1873 saiu da praça da Argentina o primeiro bonde em direção ao arraial do Menino Deus. No dia da inauguração estavam presentes as autoridades políticas, civis, militares e religiosas, prestigiando aquele que era o símbolo do progresso nas ruas de Porto Alegre. A capital nesse momento adquiria ares urbanos e recebia seus primeiros serviços de coleta de lixo (1876), de saneamento (1878), além da usina do gasômetro (1874). A necessidade de um transporte numa capital que adquiria contornos urbanos fazia-se sentir numa cidade que abria suas portas para o progresso, principalmente pelo porto, principal ponto de comércio na capital.
<><>São 135 anos de companhia, mas as datas podem ser comemoradas diversas vezes no ano, pois quando afinal a Carris surgiu? Há no mínimo três alternativas para a comemoração da data festiva. A primeira delas é 27 de fevereiro quando se assinou o contrato entre Estácio Bittencourt (fundador da Carris) e o então presidente da província, Conselheiro Figueira de Mello. A segunda é 19 de junho de 1872, quando o imperador D. Pedro II autoriza o funcionamento através do decreto 4.985. A terceira data passível de comemoração do aniversário é hoje (04/01), quando a Carris começou realmente a funcionar. A data tradicional permanece até hoje sendo a segunda, festejada todos anos pela Carris, devido a importância política do evento.
<><>Se para nós o transporte por mulas ou burros pode ser visto como um atraso, para as pessoas que viviam em Porto Alegre na segunda metade do século XIX, ele era a marca do progresso na cidade. Os trilhos eram o que davam formatação às ruas e faziam com que a cidade adquirisse características urbanas. Não é à toa que a primeira linha de bonde foi para o bairro mais antigo de Porto alegre (Menino Deus). Há 135 anos passava por Porto Alegre a primeira linha de bondes da Carris, mais de um século de mudanças nos separam desse momento, mas a importância do transporte coletivo para a cidades demonstra o quanto marcante foi essa data para a capital gaúcha. Acima foto do bonde puxado a mula na frente do antigo mercado público.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Retrospectivas do Memória em 2007


<><>São os últimos dias do ano e crescem nas ruas as expectativas para 2008. Contudo, é hora de refletir sobre o ano que se passou. É comum, nesta época, retrospectivas não só na televisão, mas na vida pessoal também. Se alguns planos não foram executados, outros tiveram êxito e fizeram-nos alcançar crescimento pessoal e profissional. São os momentos propícios a superstições, crenças e rituais, tudo é válido para que o ano novo traga bons presságios. Por mais que o ano que está indo tenha sido difícil, complicado, a esperança sempre vai no sentido de que o novo será melhor, trará novos rumos e novas expectativas.
<><>Nós, do Memória Carris, passamos um ano cheio de atividades, percorrendo quase diariamente as ruas da capital, levando e trazendo as histórias da Companhia Carris e da capital. Somamos experiências, conhecimentos e múltiplas trocas de carinho, de memórias e de histórias. É hora de fazer um balancete do ano e mapear os caminhos do Memória por Porto Alegre. Em cada escola, instituição ou evento conhecemos novas pessoas e promovemos uma riquíssima troca de experiências e trajetórias.
<><>Neste ano visitamos um total de 145 instituições, entre escolas, eventos, creches comunitárias, associações, etc. Os colégios estaduais foram os que mais receberam a visita do museu, tendo no primeiro semestre somado 42% das visitas e no segundo 60%. Em segundo lugar ficaram as escolas particulares, que receberam 22% das visitas. Durante o ano, um total de 24.738 pessoas visitaram o museu da Carris na capital gaúcha. As zonas mais visitadas variaram no primeiro e segundo semestre. No primeiro, a zona norte recebeu 49% das visitas; e, no segundo, a zona sul recebeu 47 %. O Memória esteve presente nas “pontas” de Porto Alegre, tanto do lado sul como do norte. Visitamos muitas vezes o Belém Novo, que é o último bairro da zona Sul, e no norte, o Rubem Berta, que faz divisa com Alvorada.
<><>Cruzar a cidade proporciona-nos uma visão inovadora e diferenciada, já que as capitais costumam ter seus “nichos sociais” diferentes de acordo com o perfil urbano. Além disso, pelo fato de ser um ônibus, o Memória consegue ir a lugares onde as pessoas não tem acesso a esse tipo de evento cultural. Acima um gráfico das instituições visitadas durante o ano.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Novidades

<><> A Página do pesquisador Allen Morrison, disponível até agora em inglês na internet, foi recentemente traduzida por João A. Rodrigues. Dispomos a partir de agora dessa excelente fonte de pesquisa em português, o que contribui para enriquecer o trabalho daqueles que estudam e se interessam pela história dos bondes em Porto Alegre.
A página está também entre os links favoritos: http://tramz.com/br/pa/pap.html

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

As riquezas por trás das fotografias


<><>Olhar fotos antigas desperta sensações diferentes de acordo com o observador. Um historiador pode passar um dia todo analisando uma imagem, tentando tirar dela traços de uma época. Além das características principais, como local, pessoas e vestimentas, observáveis no primeiro momento, há uma tentativa de captar impressões, olhares, enfim, o cotidiano de uma época que se passou, mas que deixou seus rastros: as fotografias. Uma foto pode dizer muitas coisas, especialmente no que diz respeito à vida privada das pessoas, muito em voga na historiografia hoje, mas que geralmente não consta nos livros tradicionais de história.
<><>Contudo, para a maioria dos que hoje desfrutam das facilidades das fotografias digitais, as fotos antigas, geralmente em preto e branco, são distantes de sua realidade e de sua vida. Observo essas reações quando as pessoas olham as fotos expostas no Memória. Geralmente, os mais jovens passam rapidamente, sem se deter aos detalhes das fotos e as sensações do passado retratadas em cada uma delas. É necessário fazer com eles um exercício de observação para que possam perceber a riqueza escondida em cada foto, muitas vezes imperceptível ao primeiro olhar.
<><>São inegáveis as facilidades das câmeras digitais atuais. Elas dispensaram a revelação, já que a maioria armazena suas fotos no computador, além de aumentarem em muito a quantidade de fotos que é possível tirar. No entanto, algumas coisas foram perdidas, como a sensação de receber o envelope lacrado com as fotos tiradas no último aniversário, festa, etc. Apesar da maioria das pessoas tirar mais fotos que há alguns anos atrás, a sensação de expectativa pela chegada das fotos perdeu-se. Ganhamos em muitos aspectos, talvez tenhamos perdido em outros, como tudo, quando a modernidade chega.
<><>A Carris tem um considerável acervo de fotos que eu pretendo digitalizar nesses meses de férias do Memória. Nelas, talvez o mais interessante seja a visão que nos passam do cotidiano da empresa há anos atrás. Há fotos de motorneiros com seus respectivos uniformes, outras do escritório da sede antiga (na João Pessoa), do consultório médico, etc. As fotos são um campo riquíssimo a se explorar e eu não tenho a menor dúvida que é possível escrever uma história para a Carris a partir se suas fotos. A foto acima é do antigo consultório médico da empresa com a máquina de raio-x.