quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Carnaval em Porto Alegre

Semana passada festejamos oficialmente o feriado de carnaval. Além da data oficial, as comemorações carnavalescas em nossa cidade iniciaram no começo de fevereiro e devem seguir até pelo menos o próximo fim de semana. Já fazem alguns carnavais que é possível observa em Porto Alegre o renascimento dos blocos de rua, uma tradição antiga presente em vários locais do Brasil. Torna-se interessante observar que aqui em nossa cidade, os blocos escolheram como seu local de concentração e desfile o Bairro Cidade Baixa, região que historicamente serviu como "berço" das festas carnavalescas da capital. 
Sabe-se que as brincadeiras de carnaval em Porto Alegre tiveram origem ainda no século XVIII com o "entrudo", uma brincadeira trazida pelos açorianos em que as pessoas se jogavam bolas de cera recheadas com perfume. A partir do século XIX a elite da cidade retirou-se da rua e passou a frequentar as sociedades carnavalescas. As mais famosas foram as Sociedades Esmeralda e a Sociedades Veneziano, que rivalizavam a atenção dos porto-alegrenses mais abastados. Em quanto isso, o povo divertia-se em blocos, tribos, ranchos e cordões carnavalescos que "desfilavam" principalmente pelas ruas da Ilhota e do Areal da Baronesa, territórios que são hoje englobados em parte pelo Bairro Cidade Baixa e partes no Menino Deus e na Azenha. 
Para quem ainda tem folego ou quer aproveitar as últimas chances de pular carnaval nos blocos de rua de Porto Alegre, passamos uma pequena agenda do próximo fim de semana: 

 -Sábado 28 de fevereiro:
- Bloco da Diversidade; concentração às 16 horas na Av. Loureiro da Silva.

-Blocos Tem Tudo Para Dar Errado e Isopor; concentração às 16 horas na rua Joaquim Nabuco, próximo à rua General Lima e Silva.

-Domingo 1 de março:
-Bloco Foliões da Folia; concentração às 14 horas na Rótula das Cuias, próximo ao Gasômetro.

Para maiores informações, sugerimos uma consulta ao site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre.





Foto de uma antiga foliã porto-alegrense.






Sociedade Esmeralda em 1925.







Imagem do carnaval de rua em Porto Alegre, 2015. 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes

   A devoção à Nossa Senhora dos Navegantes teve início no século XV, com a navegação dos europeus, especialmente dos portugueses. As pessoas que viajavam pelo mar pediam proteção à Nossa Senhora para retornarem aos seus lares. Maria era vista como protetora das tempestades e demais perigos que o mar oferecia. Num período em que a tecnologia era bastante limitada, as viagens marítimas eram vistas como uma perigosa aventura, o que justificava a fé e devoção dos viajantes. 
    Aqui em Porto Alegre, a igreja de devoção a Nossa Senhora dos Navegantes encontra-se no bairro Navegantes, zona norte da cidade. O Navegantes é um dos bairros mais antigos de Porto Alegre. Sua origem está ligada ao percurso realizado entre às regiões de colonização alemã (São Leopoldo, Novo Hamburgo) e a região central da capital. Em 1875 foi transferida para o bairro a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes que encontrava-se na igreja do Menino Deus. A partir deste período iniciasse a tradição de procissões em homenagem a santa, realizadas aqui em nossa cidade sempre nos dia dois de fevereiro. 
   A festa de Nossa Senhora dos Navegantes é a maior festa religiosa de Porto Alegre e a terceira maior do Brasil. No dia dois de fevereiro, além de se homenagear Nossa Senhora dos Navegantes também são feitas homenagens a Iemanjá, sua correspondente nas religiões afro-brasileiras. Neste ano a festa foi ainda mais especial, já que se estava comemorando os 140 anos de procissão. 
  Nós da Unidade de Documentação e Memória Carris estivemos presentes na festa através de nosso Museu Itinerante. Aliás, a relação entre a Cia Carris e o bairro Navegantes vêm de muito tempo. Como comentamos anteriormente,  desde de 1875 a Procissão acontece para o então arrabalde Navegantes. Anterior ao início desta tradição, em 1873, a Cia. Carris passou a fornecer transporte para esta região. No início eram os bondes à tração animal, depois vieram os bondes elétricos. O bonde Navegantes, com certeza, foi bastante utilizado no passado como meio de transporte para alguns devotos da santa que vinham até o bairro participar da festa de dois de fevereiro. Postamos a seguir algumas fotos de nossa participação no evento: 











sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

15 de Janeiro: Dia do Cobrador.

Ontem foi um dia muito especial no setor de Operação da Cia. Carris. Para quem não sabe, o dia 15 de janeiro é  dia do cobrador, este importante profissional que faz parte do dia-dia da maioria das pessoas. Aqui na Carris este dia é sempre lembrado e neste ano não foi diferente. Realizamos uma humilde homenagem a estes colegas que são fundamentais para a nossa empresa. Sobre esta homenagem contaremos mais detalhes em nosso facebook, mas adiantamos que estava muito legal! 
Procurando um material interessante para  homenagear os cobradores aqui no blog, encontramos um texto que foi postado no jornal "Volante" (jornal interno da Cia. Carris) em janeiro de 2007. A história foi escrita por Ari Wasyluk, e conta sobre a realização de um parto dentro do coletivo. Iremos transcrever a seguir o texto de Ari: 

"Estava aproximadamente há um ano na Cia. Carris, há poucos dias tinha terminado meu curso de primeiros socorros, mas não sabia que iria praticá-lo tão cedo e de um modo tão inusitado. Fazia meu itinerário na linha T6, sem maiores problemas, quando subiu na Avenida Baltazar de Oliveira Garcia uma gestante:
-Moço, passa no Hospital de Clínicas? 
- Sim.
 Ela sentou-se no último banco traseiro do ônibus e começou a gemer e não conseguia ficar sentada comodamente. Depois de uns minutos, começou a chorar:
-Você está bem?- perguntei?
-Estou em trabalho de parto desde a madrugada, agora as contrações estão de três em três minutos.
-Adair, pare o ônibus. Precisamos fazer uma baldeação e levar esta senhora para o Hospital de Clínicas, ela vai ter o filho.
Providenciamos a baldeação e seguimos com o ônibus expresso, quando estávamos perto da rua Lucas de Oliveira:
-Moço, não aguento mais. Meu filho está nascendo e não posso mais esperar a chegada no hospital.
Coloquei os bancos traseiros do ônibus no chão, que eram daqueles inteiros, compridos. A senhora deitou-se e de repente me vi fazendo um parto. A criança saiu em minhas mãos, era uma linda menina, não pude fazer os procedimentos como seria necessário, corte do cordão umbilical, etc, pois não dispunha de material para isso. Tirei a camisa do meu uniforme e enrolei a pequenina, colocando-a sobre a mãe. Fiquei emocionado ao ouvir o choro da menina e os agradecimentos da mãe que não parava de me abençoar por ter ajudado a filha dela a vir ao mundo. 
Chegamos ao hospital e já havia uma equipe médica à espera pois tínhamos comunicado por telefone. Esperamos por notícias de como passavam mãe e filha e, sabedores de que tudo estava bem para com as mesmas, nos dirigimos à garagem.
Na ocasião saiu uma nota no jornal Correio do Povo, dizendo: 'cobrador da Cia. Carris realiza parto no ônibus'. A empresa me deu um diploma de Honra ao Mérito pela minha atitude. Isso aconteceu há 15 anos, de vez em quando vejo a mãe e a menina, que hoje já está uma moça, e elas dizem que guardam a minha camisa como recordação". 



quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Mais uma bela história de vida....

O carinho que muitos porto-alegrenses nutrem pela Carris é algo que merece destaque. Realizando nosso trabalho de buscar informações, depoimentos, objetos, entre outras coisas que nos ajudem a compreender esta história de 142 anos, encontramos pessoas com lindas histórias relacionadas com a empresa. Quando trabalhamos com as lembranças de antigos funcionários estas descobertas ficam ainda mais intensas! Recebemos em nosso acervo uma documentação que pertenceu ao senhor Pedro Carneiro Rodrigues, que trabalhou na Cia. Carris entre os anos de 1938 e 1971. O Sr. Pedro foi membro do Sindicato dos Trabalhadores da Cia. Carris, um dos fundadores do jornal "O Tranviário" (que era escrito pelo sindicato e distribuído para os sócios do mesmo) e também membro da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo, criada pelo sindicato para uso dos funcionários da Carris.  O engajamento do Sr. Pedro no sindicato e em ações que buscavam proteger o trabalhador fica mais clara quando observamos parte de sua história de vida. Iremos transcrever trechos de um texto que nos foi entregue junto com outros documentos do sindicato e que contam parte desta história: 

"(...) No dia 11 de novembro de 1918 terminou a Primeira Guerra Mundial. No mesmo dia nascia na casa de um casal modesto, que vivia em companhia do filho Mário de quatro anos, um menino que foi batizado as pressas por terem medo de que morresse pagão. Foi dado ao menino o nome de Pedro. Naquela época, devido a guerra, se espalhava uma doença mortal: a gripe espanhola. O casal de pais era formado pelo Sr. João e a Sra. Francisca (Chica). Ele era um trabalhador da Cia. Carris e ela era doméstica, eles tiveram mais dois filhos: Paulo que nasceu em 1920 e Iracema que nasceu em 1922. 
A família vivia feliz, mas no ano de de 1922 Seu João morreu em um acidente de trabalho. Como não havia Previdência Social naquela época, a família ficou desamparada. A mãe foi morar junto com a avó e as duas começaram a lavar roupa para fora. Mário, com oito anos, foi trabalhar como cobrador de ônibus. Pedro, com sete anos, em 1925, foi trabalhar de ajudante de padeiro. Ele entregava pão em troca de um quilo de pão por dia para alimentar a família e uns trocados no fim de semana. Pedro dormia na padaria em cima de sacos de fermento vazios, na quadra dos fornos (...)". 

Após vários empregos diferentes, o Sr. Pedro chegou na  Carris aos 19 anos de idade:

"(...) No dia 3 de março de 1938 [Sr. Pedro] começou a trabalhar na Cia. Carris. Em 1939 entrou de sócio no Sindicato dos Trabalhadores da Cia. Carris. Em 1961 o presidente do sindicato propôs aos sócios em assembléia a criação de um jornal. A proposta foi aceita  e foi criado o jornal "O Tranviário" do qual Pedro fez parte. Em outra assembléia, no mesmo ano, foi criada uma Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo. Pedro também aceitou fazer parte da mesma (...) em outra assembléia em 1962, o presidente propôs a criação de uma Colônia de Férias. Como os trabalhadores da Cia. Carris eram criativos, foi criada a Colônia de Féria 1º de Maio (...). 
Pedro em sua passagem pelo Sindicato teve várias homenagens: da diretoria recebeu 'Menção Honrosa' por serviços prestados à categoria e 'Honra ao Mérito' por serviços prestados à diretoria durante o movimento "Pró Legalidade". 

Consideramos a história do Sr. Pedro mais um exemplo da riqueza de informações que temos guardadas em nosso setor. Através de relatos como esse, podemos acessar vários aspectos do passado que nos ajudam a ter uma visão mais complexa sobre a vida dos trabalhadores, a organização da empresa, etc... Ficamos muito felizes por termos estes verdadeiros "tesouros" em nossas mãos.











quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A primeira empresa de bondes no Brasil

O texto que iremos transcrever foi retirado do jornal Estado de São Paulo de 16 de outubro de 1992. Trata-se de uma pequena matéria falando sobre a primeira empresa de bondes no Brasil. Além disso, o texto também apresenta algumas informações interessantes sobre a história deste veículo em outras grandes cidades do mundo:


Primeira linha surgiu no Rio de Janeiro

      O ano de 1859 foi marcado por um acontecimento importantíssimo na capital do Império: a inauguração da primeira linha de bondes do país. A Companhia Carris de Ferros da Tijuca escolheu o bairro do Jardim Botânico, no Rio dos 250 mil habitantes, para iniciar os seus serviços. O Brasil foi o segundo país do mundo a adotar esse meio de transporte. Sete anos antes, a Carris havia colocado uma parelha de cavalos puxando bondes pelos trilhos de Nova York.
      Treze anos mais tarde, a novidade chegou a São Paulo. Pouco depois, os bondes ganharam as ruas do Recife, de Salvador e Belém. O bonde elétrico, que surgiu na França em 1881, também teve a sua estréia brasileira no Rio, na Praia do Flamengo, em 1892. 
      Na virada do século, a São Paulo Tramway Light e Power ou simplesmente Light, inaugurou várias linhas de bonde elétrico na Capital. O meio de transporte mais rápido da época não tardou a ganhar vários apelidos. O mais popular deles foi camarão, um modelo importado do Canadá.
      O último camarão parou de circular em São Paulo em março de 1968. Ele fazia o trajeto entre Vila Mariana e Santo Amaro. Barulhento, causador de transtornos no trânsito, o bonde cedeu espaço ao metrô. Mas em várias cidades do mundo, os românticos bondes continuaram sendo opção de transporte, como em Amsterdã, Viena, Bruxelas, Genebra e Copenhague.



Bonde elétrico circulando no Rio de Janeiro

       

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Um bonde no Largo Glênio Peres

Em 1992 a Cia. Carris Porto-Alegrense completou 120 anos. Como parte das comemorações, um modelo de bonde Brill foi reformado e exposto no Largo Glênio Peres. O veículo reformado é o mesmo que encontra-se hoje na frente da empresa, sendo ocupado pelo SACC.
Encontramos em nosso acervo uma matéria de jornal noticiando a reforma do bonde e as impressões colhidas entre os seus visitantes. Trata-se de um texto muito legal, que nos possibilita acessar algumas histórias e lembranças sobre o período dos bondes em Porto Alegre:

"Bonde anima os dias do Largo"*

"O velho bonde Brill instalado no Largo Glênio Peres não vai a lugar nenhum. Em compensação, transporta as pessoas para as suas lembranças e para um passado recente. É uma festa para os mais antigos. Poucos porto-alegrenses com menos de 22 anos conheciam esse veículo de perto. Muitos só tinham ideia do que eram bondes através de fotos amareladas ou pelos trilhos mal encobertos deixados em muitas ruas da cidade. Para gente como a estudante de Artes Plásticas Marília Albert, 19 anos restaram apenas as viagens imaginárias: 'Eu vejo os trilhos e imagino os trajetos', conta. 
Marília foi uma das incontáveis pessoas que visitou o bonde no primeiro dia de sua exposição pública (...). A estudante, por exemplo, foi reportada à juventude do pai, no começo dos anos 60, quando Carlos Getúlio Albert, 50 anos, estudava Teologia em Porto Alegre e fazia o trajeto Centro-Teresópolis. Não dava para dizer quem estava mais emocionado - o pai, com suas lembranças, ou a filha, com sua preocupação em preservar a cultura e a história da cidade. 
MODERNO- Não existe o charme do passado, mas a emoção é a mesma. No bonde restaurado faltam as argolas em que os passageiros iam pendurados, balançando em seu tranco lento. O teto também não é o mesmo. 'Deram uma modernizada nele', reclama Nilza Souza Neto, 47 anos. A alegria dela ao entrar no Brill não tem preço. É preciso muito pouco para fazer as pessoas felizes. 'Esse é o nosso bonde', repetia ela, fazendo uma trilha sonora para mostrar aos mais novos como era o som produzido pelo metálico contato entre o rodado e o trilho (...)". 

*Matéria retirada do jornal Zero Hora de 22 de junho de 1992. Jornalista: Rosane Tremea. 

Trecho da capa do jornal de 1992. 


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Dia da Manutenção





      No dia 4 de dezembro do ano de 1906 foram instaladas as primeiras oficinas nas garagens da Cia. Carris Porto-Alegrense. Naquela época a empresa ainda localizava-se na Avenida João Pessoa, perto do local onde hoje se encontra o Viaduto Loureiro da Silva.  
       A construção das oficinas nas garagens da Carris foi resultado de um momento importante da história do transporte público em nossa cidade: a substituição dos bondes movidos a tração animal pelos bondes elétricos. Com os novos veículos passou também ser necessário um outro tipo de manutenção. Se antes o quadro de funcionários da Carris incluía ferreiros e tratadores de animais, a partir de 1906 passaram a ser necessários mecânicos e eletricistas.
       As oficinas da Carris fizeram história em nossa cidade. Poucas pessoas sabem, mas muitos bondes foram inteiramente construídos nas garagens da João Pessoa. No ano de 1931, os primeiros modelos de bondes produzidos na Carris foram apelidados de “Miller”. O nome foi escolhido em função do projetista e supervisor da construção, chamado de C. W. Miller, engenheiro chefe da Carris.  Já na década de 1950, se tornaram populares na cidade os bondes “Coca-cola”, um modelo norte-americano reformado na Carris e pintado de vermelho e branco. 
       O dia 4 de dezembro é sempre lembrado aqui na empresa como o Dia da Manutenção. Neste ano não foi diferente, realizamos uma pequena homenagem a este importante setor de nossa empresa com uma "Árvore da Memória".  Pegamos uma estrutura de metal em forma de árvore e colocamos várias fotografias em seus "galhos". As fotos eram de diferentes momentos da história da manutenção, e o nosso objetivo foi levar os nossos colegas a se reconhecerem, a reconhecerem colegas e nos contarem um pouco de suas lembranças do setor.  O resultado foi muito legal, vários dos colegas vieram conversar conosco, lembrando de suas histórias dentro da Carris. Aos nossos colegas da manutenção desejamos mais um feliz dia 4 de dezembro!