sexta-feira, 27 de março de 2009

Memória volta às ruas de Porto Alegre


Após passar por reformas, de cara nova, o Museu Itinerante Carris abre sua agenda para visitações nas Escolas da rede pública e privada de Porto Alegre, assim como para eventos. O agendamento pode ser feito pelo endereço eletrônico renata_souza@carris.com.br ou memória@carris.com.br ou, então, pelo telefone no número 32892122.

No mundo de hoje corremos numa disputa acirrada com o tempo. Muitas são as vezes que o atual confunde-se com o passado numa ação de se presentificar o futuro. A preservação de memórias coletivas, sob esse contexto, faz-se fundamental para que possamos manter algum elo com o passado. A Carris, como uma empresa de mais de cem anos, dedica-se na preservação dessas memórias tão significativas em todo o processo de modernização da nossa cidade. O Museu Itinerante volta às ruas da capital levando antigas histórias aos porto-alegrenses, assim como criando outras a partir da sua convivência com o público.

Agende sua visita para que possamos além de dividir, construir novas memórias.

Parabéns!!!


Estamos em plena semana de Porto Alegre... Falemos sobre a cidade. Jerônimo de Ornelas estaria mais autorizado a isso, claro, mas eu nasci aqui, Jerônimo não; estou vivo (ainda não saí de casa hoje). Jerônimo não. Atrevo-me pois a escrever. (Crônica de Moacir Scliar no jornal Zero Hora, 1979)

Na crônica de Moacir Scliar, o personagem legitima sua autoridade como cidadão porto-alegrense através de seus sentimentos, um companheiro das mudanças deste centro urbano. Alguém que amadureceu junto com a expansão periférica e com as transformações nas relações de sociabilidade da cidade. Através da ficção o cronista representa que o mais importante não é a data exata da fundação de Porto Alegre, mas comemorarmos a existência e a convivência de nossa capital.

Ontem, na reportagem especial do jornal Zero Hora (http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2453791.xml&template=3898.dwt&edition=11978&section=1015), a jornalista Juliana Bublitz escreve sobre a incongruência quanto à data comemorativa do aniversário de Porto Alegre (assunto já abordado nesse blog na postagem "Parabéns, Porto Alegre"-03/04/2008). Tal fator, seja justificado através de preceitos políticos ou não (como denota a matéria), acarretou na comemoração do bicentenário da capital em duas datações distintas. Esse fato, embora pareça imutável, demonstra que a história é passível de diferentes interpretações.
Talvez a crônica de Scliar nos ampare a não nos preocuparmos, nesse momento, com essas discussões, mas a sentir-nos um pouco fundadores de nossa cidade, cidadãos porto-alegrenses, nascidos aqui ou não. Uma celebração realizada tanto por aqueles um pouco mais experientes, os quais acompanharam esse processo de urbanização, bem como os mais jovens que participarão das próximas transformações da nossa capital. O importante, penso, é comemorarmos essa semana como integrantes ativos desses processos de ressemantização, conscientes das nossas atitudes.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Boa tarde!

Sou Renata Andreoni, a nova estagiária do Museu Itinerante Memória Carris. Inicialmente, quero agradecer a Débora pela confiança e atenção, elementos fundamentais, a partir dos quais estou alicerçando a minha nova jornada profissional. Será uma experiência inédita e confesso-lhes que agora, assim como a nossa querida Débora, sinto um misto de sensações, onde entusiasmo, expectativa, insegurança, desafio, alegria são adjetivos que caracterizam os meus sentimentos neste momento.
Ambientando-me com a história dessa empresa de 136 anos, com importância expressiva na história dos transportes do nosso país e, quiçá, mundial, identifico o trabalho pró-ativo que a equipe do Memória vem realizando para comunidade porto-alegrense. Mais um motivo para justificar a minha expectativa frente tal responsabilidade. Para tanto, acredito superá-la com o passar do tempo a partir de um trabalho de pesquisa e, fundamentalmente, com a ajuda do Chefia (tenho certeza que aprenderei muito com ele), bem como com a colaboração de todos que estiverem dispostos a construir, junto comigo, um caminho compromissado com a História e a Cultura da nossa cidade.
Gostaria de registrar aqui um agradecimento aos novos colegas da Carris pela recepção e, em especial, para os meus colegas da Assessoria de Comunicação que me receberam de maneira muito afetuosa, acalentando-me para esse novo desafio.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Despedida




Queridos leitores deste blog, hoje é meu último dia na Carris. O que sinto é um misto de alegria com tristeza. Alegria porque, felizmente, tudo saiu como planejei e farei meu pós a partir de março e tristeza por deixar para trás um trabalho pelo qual me apaixonei.
Representar a Carris ao longo destes dois anos foi uma experiência, no mínimo, enriquecedora, sabendo que meu papel era demonstrar a história de uma empresa que tem 136 anos e é, atualmente, a mais antiga de transporte em funcionamento. Acredito que quando andamos com o ônibus Memória pelas ruas de Porto Alegre representamos tanto os que já passaram como os que atualmente contribuem para que a companhia seja o que é. Uma marca, um símbolo não existe como entidade abstrata, mas é constituído pelos que o fazem existir, os funcionários que se dedicam diariamente. Muitos vão e vêem, e centenas já trabalharam neste empresa, muitos o nome não é lembrado nos relatos de história, mas foram essenciais para que ela seja o que é hoje. Gosto de chamar esses de trabalhadores “por trás das cortinas”, eles são essenciais para a perfeição do espetáculo.
Diferentes de outros lugares que já trabalhei e das atividades que exerci, o Memória sempre me proporcionou experiências singulares e com pessoas que, de outra forma, não teria contato. Foram vários e-mails recebidos, recados e ligações. Gostaria de agradecer a todos os que, de alguma forma, mantiveram contato e espero ter correspondido às expectativas dos que me procuraram.
Sei que sentirei falta de tudo isso, principalmente, do contato com o público que tanto me alegrava. Também sentirei saudade dos que dividiram seu tempo comigo, o pessoal da Assessoria de Comunicação da Carris e, especialmente, do Chefia (seu Eloy, motorista do ônibus), que nestes dois anos foi minha melhor e maior companhia. Aprendemos muito um com o outro, mas creio que o ganho maior foi meu, com certeza, pelo privilégio de trabalhar com alguém que é tão significativo para a Carris. A Renata fica no meu lugar e tenho certeza que continuará o trabalho de pesquisa que já tenho desenvolvido. Desejo que ela se encontre neste trabalho como me encontrei e que se apaixone por ele como eu me apaixonei. Fornecerei a ela o login e a senha deste blog e logo ela iniciará o a atualização dele.
Grande beijo a todos

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Dona Claudete




Já falei aqui sobre as pessoas que não aparecem para o público, mas são essenciais para a execução do trabalho diário. São os profissionais que trabalham por trás das cortinas, fazendo de tudo para que o espetáculo seja perfeito. Na Carris, dezenas de colaboradores limpam e consertam os ônibus de dia e noite, possibilitando a perfeição do serviço prestado. No caso do Memória, além do pessoal da manutenção, que volta e meia presta-nos apoio, a Dona Claudete é quem realiza diariamente a limpeza do museu, garantindo a alegria da garotada.
Ela é conhecida na empresa por sua simpatia e carisma. Exemplo de dedicação e trabalho, é formada em história, com Especialização em Escola Contemporânea pela Fapa (Faculdade Porto Alegrense). No entanto, ao entrar na Companhia, em 1992, Dona Claudete ainda não havia terminado o ensino fundamental. Com a oportunidade de fazer cursos dentro da própria empresa, ela estudou e obteve a aprovação nas provas da SEC (Secretaria da Educação) que lhe possibilitaram conseguir o certificado do ensino fundamental e médio. A professora já trabalhou como voluntária em várias escolas e ministra constantemente aulas, na Carris, para os alunos do Curso de Desenvolvimento de Competências Profissionais.
Aos 64 anos, Dona Claudete é a responsável pela limpeza do Memória, não só no dia-a-dia, mas, também, a que realizamos anualmente com a retirada do acrílico. Ela faz tudo com muita dedicação e esforço, mostrando a todos, com seu trabalho, o grande carinho que tem pela Carris. Ela garante a visita perfeita, nas idas e vindas do Memória.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Notícias sobre o bonde histórico em Porto Alegre


Coincidentemente, hoje saiu uma reportagem no Correio do Povo sobre o Projeto do Bonde Histórico em Porto Alegre. Leia abaixo:
A reformulação na estratégia de busca de recursos para o projeto que prevê a instalação do bonde histórico no Centro da Capital adia o começo das obras. Convênio entre o Ministério das Cidades e a Prefeitura de Porto Alegre, assinado há dois anos, ainda não saiu do papel devido a algumas mudanças. O projeto está sendo elaborado pela Trensurb, que decidiu buscar financiamento junto ao Ministério do Turismo, ao invés de buscá-lo junto ao Ministério da Cultura, pela Lei Rouanet.
O gerente de Mobilidade Urbana da Trensurb, Sidemar Francisco da Silva, avaliou que as alterações foram fundamentais para que haja a captação dos recursos necessários ao projeto. "Somos parceiros nessa iniciativa. Houve uma indicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que os financiamentos fossem buscados junto ao Ministério do Turismo e essa mudança gerou a demora no andamento do projeto", explicou. A expectativa é que no primeiro semestre desse ano o financiamento esteja definido para que os projetos executivos sejam iniciados. O gerente adiantou que depois dessa etapa caberá à prefeitura definir a execução da instalação, assim como o seu gerenciamento e funcionamento. O total de investimentos estimado para o projeto é de R$ 11 milhões.
A instalação do bonde histórico é uma das iniciativas que fazem parte do programa de revitalização do Centro Histórico de Porto Alegre. O objetivo é que a linha seja exclusiva para o turismo e não uma alternativa ao transporte público. A previsão é que sejam negociados os horários e os dias em que os bondes funcionarão, para não causar transtornos ao trânsito normal na região central. O início da instalação ainda não tem previsão porque está vinculada à liberação de recursos financeiros e à prefeitura, parceria na iniciativa. A ideia do projeto é que seja construída uma linha histórica que passe pelo chamado corredor cultural do Centro da cidade. No bonde, as pessoas poderão valorizar e conhecer os pontos turísticos, colaborando para impulsionar o turismo local. A linha passará em frente a locais como o Mercado Público, o Chalé da Praça XV, o Paço Municipal, a Praça da Alfândega, o Memorial do Rio Grande do Sul, a Casa de Cultura Mario Quintana, a Igreja Nossa Senhora das Dores, a Usina do Gasômetro, entre outros. O trajeto, de aproximadamente cinco quilômetros, será feito por dois bondes restaurados.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Bonde Histórico


Assim como em Santiago (onde o projeto ainda está em execução), no Chile, em Santos (SP) o bonde histórico já é uma realidade desde 2000, quando foi inaugurado no Paço Municipal, na Praça Mauá. O passeio percorre pontos históricos abordo de um bonde aberto de 1920, acompanhado do motorneiro e condutor. Há duas opções de passeio, a Bond Tur, que é acompanhado por um guia turístico mediante agendamento e a circular, com freqüência de 15 minutos de terça- feira a domingo.
A novidade é que a linha histórica de Santos vai ser ampliada de seus 1,7 km para 5 km de extensão. Segundo o Jornal A Tribuna, dois bondes turísticos foram doados pela cidade de Turim, na Itália, e devem chegar lá este mês ainda. A iniciativa faz parte de um contrato de cooperação estabelecido em julho do ano passado pela Prefeitura de Santos e o Gruppo Torinese de Transporti (GTT), empresa que controla os transportes coletivos no País. Os veículos estão sendo trazidos em três contêineres, pelo navio MSC Carolina. O desembarque será feito no cais santista, no terminal marítimo da Rodrimar.
O bonde em Santos foi inaugurado em 1871 (um ano antes de Porto Alegre) pela Cia. Melhoramentos da Cidade de Santos. Os veículos, puxados por burros, faziam o transporte de gêneros alimentícios, mercadorias e passageiros. Em 1904, iniciou-se o período de maior desenvolvimento do transporte em Santos quando a The City of Santos Improvements Company Ltda. assumiu o controle das linhas de bonde. A 28 de abril de 1909 (um ano após nossa Capital), foi inaugurada a primeira linha de bondes elétricos, ligando o Centro de Santos a São Vicente, via praia. O serviço de bondes na cidade paulista terminou em 1971, sendo a última cidade a extingui-lo no Brasil.
A linha histórica de Santos serve de inspiração para o projeto de Porto Alegre, sendo que representantes da Carris já estiveram por lá recolhendo os documentos e projetos. Além de Santos, existe a de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Mas esta é assunto para outra postagem.