terça-feira, 9 de outubro de 2007

Os bondes tinham roleta?


<><> Uma pergunta que geralmente é feita entre os que não tiveram contato com o bonde é se ele tinha roleta ou qual era o mecanismo de controle para aqueles que andavam no veículo. O bonde não tinha roleta como os ônibus atuais. Em algumas cidades como Porto Alegre havia um objeto que ficava pendurado no veículo chamado Contador de Passageiros ou “relógio”. O condutor, profissional responsável pela cobrança das passagens, andava de um lado a outro cobrando as passagens com notas de dinheiro envoltas nos dedos. Muitas vezes, o condutor tinha que sair correndo atrás de algum sujeito que queria fugir sem pagar a passagem.
<><>O condutor, apesar do nome sugestivo, não era quem dirigia o bonde. Quem fazia isso era o motorneiro. O condutor era responsável pela cobrança das passagens e dava sinal ao motorneiro para a partida do veículo, por isso a denominação, era ele que “conduzia” o veículo. Por não existir no bonde um mecanismo que permitisse a exatidão na contagem de passageiros, eram comuns as brincadeiras que se faziam em relação ao trabalho dos condutores. Por exemplo, em São Paulo, uma piadinha que se fazia era que os condutores contavam as passagens “uma pra Light, uma pra mim”, referindo-se a possibilidade de se ficar com parte das passagens cobradas.
<><>Nos horários de muito movimento, era difícil a tarefa de cobrar as passagens, especialmente daqueles que ficavam pendurados nas portas em horários de pique. Segundo alguns, havia a “mamata” para os amigos, como confessa a música de Leonel Azevedo e J. Cascata, de 1937: “Não pago o bonde, Iaiá / Não pago o bonde, Ioiô / Não pago o bonde / Que eu conheço o condutor”. Segundo Milton Ribeiro, em seu blog, a melhor maneira de não pagar passagem era essa: ficar viajando na porta, sentindo o vento bater no rosto. Além disso, o condutor podia esquecer quem já havia pago e cobrar novamente, ou alguém afirmar que pagou sem ter feito, gerando bate-bocas. Blog do Milton: http://www.verbeat.org/blogs/miltonribeiro/arquivos/2005/11/os_bondes_de_po.html
<><>Os primeiros ônibus também não tinham roleta (ou catraca). O cobrador andava dentro do veículo fazendo a cobrança e entregando pequenos papéis como comprovante. Em Porto Alegre, geralmente chamamos de roleta o objeto responsável pela soma dos passageiros, o que remete aos jogos de azar em cassinos (também chamado roda da fortuna), do francês “rolette”. Em outros lugares, o aparelho é conhecido como catraca. A palavra é uma expressão idiomática brasileira, originária da peça que impulsiona os veículos de duas rodas (catraca da bicicleta e da motocicleta). Em inglês, turnstiles e em espanhol, molinete. Em 1642, Blaise Pascal inventou, aos 19 anos, o relógio-contador mecânico, empregado até hoje em diversos modelos de catracas, que deu origem às primeiras máquinas de calcular.A fábrica de catracas mais antiga e funcionando até hoje é a Perey (EUA), fundada em 1913, Na década de 50, ela equipou algumas estações de trem de São Paulo. O uso da catraca nos veículos de transporte público possibilitou ao Ministério Público exigir que o cobrador trabalhasse sentado.
<><> A foto colocada é do contador de passageiros que tem no Memória. Na próxima postagem coloco o que tem no bonde restaurado que fica em frente a Carris, modelo Brill, serve ao SAC (serviço de atendimento ao cliente).

3 comentários:

Débora disse...

Andar de bonde é uma delícia - fiz isto aqui em Santa Teresa - e acho que em Porto Alegre poderia ser reativada algumas linhas, nem que fossem para uso unicamente turistico

Andrei e lucas disse...

Gostei muito de conhecer da memoria Carris no colégio Americano obrigado por tudo e pela
paciência


Volte sempre!!


Andrei e Lucas beijos

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom