quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Poemas nos bondes


<><>Voltando aos condutores: essa semana me deparei com o nome de um condutor que era escritor também. Em 22 de junho de 1953, a Última Hora (Jornal carioca), publicava o lançamento do livro do condutor de bonde, Jacinto Nunes Quintas, intitulado Poesias de um condutor de bonde. No momento de lançamento, ele estava afastado do trabalho e se dedicava ainda mais à sua atividade preferida: fazer versos. Jacinto começou a trabalhar em 1934, ficou lembrado por seu bom humor mesmo nas dificuldades enfrentadas no dia-a-dia. Desde cedinho, quando entrava de serviço, até o final do dia, ia improvisando ou repetindo velhas rimas. O condutor podia fazer versos de tudo o que via, qualquer motivo podia servir de inspiração. Por seu bom humor no transporte coletivo, conquistou àquela que seria sua esposa. Quando passava cobrando a passagem dizia:


<><>Por gentileza
<><>Aqui está o condutor
<><>Que trata a todos com delicadeza


<><>Se o passageiro insistisse em não pagar a passagem, Quintas repetia:


<><>Cavalheiro, por favor
<><>Não esqueça de pagar o condutor


<><>E quando chegava o fiscal para conferir se o condutor estava registrando corretamente no contador o número de passageiros, falava:

<><>Pode ver, seu fiscal,
<><>Aqui está tudo legal.

<><> Os condutores fizeram parte da vida daqueles que dia-a-dia viajavam de bonde nas diversas cidades do Brasil.Cobrando as passagens e correndo atrás dos que não queriam pagar, deram asas a imaginação popular sobre sua figura. A música carnavalesca de Leonel Azevedo (coloquei pedaço da música na outra postagem) é um exemplo dessa relação dos populares com os profissionais. Quando os bondes eram abertos, a dificuldade era ainda maior para os condutores, pois tinham que virar verdadeiros malabaristas andando nos estribos, segurando-se nos balaústres com uma mão e cobrando com outra. Em Porto Alegre, muito devido ao frio, os bondes abertos foram substituídos pelos fechados, mas no Rio de Janeiro, por exemplo, os abertos ficaram até o fim dos serviços de bonde.
<><> A imagem que está aparecendo é do contador de passageiros, pertencente ao modelo Brill, que está dentro do bonde que hoje serve ao atendimento do SAC (serviço de atendimento ao cliente).

2 comentários:

le disse...

olá vim expressar a minha admiração por esse trabalho,estava buscando um poema,para uma foto que montei,e esse foi perfeito.Minha vó que hoje tem alzeimer,sempre se lembra dos bondes...e me pergunta se viajei neles...então as vezes penso que apesar do conforto de hoje em dia,seria bom se permanece os bons modos aos idosos de antigamente...
Obrigado e um abraço.
LEANDRA AMARO
http://picasaweb.google.com.br/LEANDRAAMARO/OMEUMELHOR/photo#5164624658300800914

Débora Vogt disse...

Agradeço pelo carinho, Leandra. Esse blog é uma forma também de valorizar pessoas como sua vó, saudosistas desses veículos que fizeram parte da vida de boa parte das cidades do Brasil.
Grande abraço,
Débora vogt